Eles já foram muito mais unidos. Hoje alguns projetos modernos, em função da perda de espaço, acabam separando a cama do seu fiel companheiro, o criado-mudo. E nos novos tempos, as peças mais pesadas, entalhadas, e enormes, vão dando lugar aos móveis mais leves, onde o design funcional fala mais alto.
Antigamente, a peça conhecida também como mesa ou bancada de cabeceira apenas apoiava um abajur, os óculos e no máximo a Bíblia. Com a transferência da cômoda dos aposentos do casal para o quarto do bebê, o criado-mudo ganhou outras funções.
A evolução do mobiliário, que hoje precisa caber em mínimos espaços, fez com que a peça virasse um grande aliado na organização do quarto. Ali guardam-se sapatos, livros, relógio, chinelos, remédios, agenda eletrônica, telefone, jarra com água e outros objetos.
Acredita-se que a união cama & criado tenha ocorrido no Brasil Colônia, período em que o mobiliário era todo importado ou inspirado nas cortes européias. Assim como o baú, ou a arca, eram uma espécie de coringa no mobiliário colonial brasileiro, é hoje, o versátil criado-mudo.
Respeitando as necessidades do mercado essa peça tem sofrido alterações. Nem sempre aparece aos pares, ladeando a cama de casal. O estilo também pode ser diferente do da cama. Suas dimensões também diminuíram, e seu design quase sempre tem portas ou gavetas para que o móvel seja ainda mais funcional.
A arquiteta Tânia Nunes Galvão, de Maringá, tem pesquisado bastante sobre design de móveis para sua tese de mestrado. Baseada em seus estudos ela, projetou para uma tradicional marcenaria da cidade uma coleção de camas e criados que será produzida em linha industrial.
Para produzir, entalhar, dar acabamento às antigas camas e criados, a marcenaria costuma levar mais de dez dias. Por causa da morosidade na produção sob encomenda que ajuda a aumentar o preço, a marcenaria contratou a arquiteta para desenhar móveis em escala industrial, compatíveis com a realidade do mercado. Todo o processo de produção foi revisto, mas a nova coleção mantém algumas características como as mesmas bitolas, madeiras nobres, acabamento sofisticado e linhas mais retas. ‘‘O estilo é algo entre o moderno inspirado na releitura que o arquiteto Lucio Costa fez do barroco português, e o clássico, que pode ser perfeitamente conciliado com outras peças do quarto, como o armário ou guarda-roupa’’, define Tânia Galvão. ‘‘Os novos móveis podem ser produzidos em menos de dois dias com preços bem mais baixos’’, completa. Para torná-los ainda mais acessíveis a marcenaria usa apenas três espécies de madeira: mogno, imbuia e marfim. Outra tendência nos projetos da arquiteta é a mescla de lambris de imbuia com marfim para cabeceiras de camas.
‘‘A evolução da mobília pode ser comparada com a moda. Podemos fazer mudanças no guarda-roupa optando por peças clássicas, duráveis, bonitas e básicas que combinem com tudo, sem precisar fazer modinha descartável’’, afirma Tânia Galvão.

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