Uma das etapas mais demoradas de uma construção é a fase de acabamento: é quando são aplicadas a massa fina, a massa corrida e a pintura. Não fosse esse cuidado, a grande maioria das edificações de concreto teria a cor característica do cimento cinza.
Existe no mercado nacional, porém, uma variante de cor branca, denominada Cimento Portland Branco (CPB). O CPB estrutural pode ser utilizado da mesma maneira que o cimento cinza, oferecendo ainda a possibilidade de adição de pigmento para obter o produto final na cor desejada. Assim, é possível obter blocos, vigas e painéis decorativos que dispensam acabamento e pintura. Na sua cor natural, o CPB oferece a vantagem do conforto térmico, por refletir com maior eficiência a luz solar e manter a temperatura de sua superfície mais próxima à do ambiente.
Até 1984, o único tipo de cimento branco disponível era o não-estrutural. Essa variedade responde ainda hoje pela maior parte do consumo desse tipo de cimento, aplicada em larga escala no rejuntamento de azulejos, entre outros tipos de pisos e revestimentos.
Já o CPB estrutural é um cimento normatizado, ou seja, é indicado para uso em quaisquer aplicações onde normalmente se utiliza o cimento cinza. Um exemplo é o CPB-32, lançado recentemente pela Votorantim Cimentos. A fábrica já dispunha do CPB-40, indicado para aplicações onde é necessária maior resistência inicial - como a indústria de pré-moldados, onde os artefatos precisam ser tirados das formas rapidamente. O CPB-32 é a opção para o consumidor que não necessita dessa característica, e que poderá pagar um preço menor pelo produto.
Uma das aplicações do CPB estrutural, devido ao seu alto índice de reflexão de luminosidade, é na confecção de pisos para grandes lojas de varejo, locais onde a iluminação é ponto-chave. É o que faz a Tecnogran, empresa que fornece pisos em cimento branco para 98% de todos os supermercados e hipermercados no Brasil, além de inúmeros shoppings centers no País e na Europa.
O diretor da empresa, Marcos Fernando Denes, aponta, dentre as inúmeras qualidades do produto, a capacidade de recuperação do piso. ''Quando as placas atingem 10 ou 15 anos de uso, basta dar um polimento na superfície e o material volta a ter as mesmas características de quando a peça saiu da fábrica, novinha em folha'', destaca.
A adição de granilhas - compostos minerais constituídos de quartzo, diabásio etc. - permite dar às peças fabricadas com o CPB estrutural o aspecto de pedras naturais, como o granito, por exemplo. ''A vantagem é que o custo das peças é cerca de três vezes menor do que o do granito natural'', ressalta Denes.
O Cimento Portland Branco estrutural deve se transformar em tendência na arquitetura brasileira, a exemplo do que ocorreu em outros países. Para efeitos de comparação, nos mercados europeu e norte-americano consome-se uma média de 4kg de CPB por habitante ao ano, contra apenas 0,5kg no Brasil.

mockup