Para construtoras, é hora de dialogar e encontrar soluções
As construtoras admitem que este é um momento de estar próximo aos clientes e criar todas as artimanhas possíveis para evitar quebra de contratos e perdas financeiras para ambas as partes. E pelo que foi dito pelos gerentes das empresas, em boa parte dos casos as estratégias implementadas estão surtindo efeito em Londrina.
Na Plaenge, se anteriormente a 2015 os distratos giravam entre 5% e 7% dos negócios, no ano passado o percentual subiu para o patamar de 10% a 11%. O gerente regional da construtora, Olavo Batista, salienta que os distratos são situações inerentes ao setor. Ele explica que a empresa trabalha de forma preventiva para evitar que os percentuais aumentem significativamente. "Nossa política de venda é mais conservadora, com uma equipe própria de consultores que preza pela qualidade da venda em detrimento da quantidade. Também trabalhamos para que nosso cliente faça poupanças maiores, assim ele financia valores menores e escapa do crivo maior dos bancos no momento de liberar o financiamento".
Para aqueles que estão com negócio fechado e dificuldade de honrar com os compromissos de parcelas e balões, a empresa está renegociando, pulverizando os valores para que sejam pagos ao longo de meses. "Temos casos de pós-entrega em que o cliente não tinha o valor e esperamos entre 3 e 4 meses para que ele levantasse o capital e, assim, entregar a chave e evitar o distrato. São estratégias que estão se mostrando bastante efetivas".
RENEGOCIAÇÕES
Na Artenge, o diretor comercial, José Carlos Salgueiro, salienta que a marca de distratos gira atualmente na casa de 12% a 13%, ficando acima de 2014. "Houve uma tendência das pessoas buscarem o distrato, mas nós fizemos renegociações, sanando pelo menos 80% dos problemas. Parcelamos balões e se o cliente tinha duas ou três parcelas em atraso, fizemos um acerto financeiro abrindo mão dos juros de mora".
Já a A.Yoshii preferiu não revelar qual percentual de distratos. O diretor de incorporação, Silvio Muraguchi, aponta as estratégias buscadas para enfrentar este momento. "Como em diversos setores da economia, o segmento imobiliário vem buscando soluções para atender às necessidades dos clientes. Entre essas soluções, estão trocas de empreendimentos com maior prazo para quitação das parcelas, muitas vezes por apartamentos de maior valor, mas com prazos mais alongados de pagamento. A empresa também está reduzindo momentaneamente o volume de novos lançamentos para se adequar ao atual cenário econômico. A médio prazo, com a redução da oferta e mudanças no rumo da economia, os valores dos imóveis tenderão a aumentar", salienta.
A reportagem da Folha também entrou em contato com a Vanguard, Vectra Construtora e Yticon, mas não conseguiu resposta de nenhuma delas até o fechamento desta edição.





