César Augusto/Mario Cesar


Uma das entradas do shopping Catuaí, em Londrina, projeto arquitetônico paisagístico de Rosa Kliass: ‘‘A vegetação é um elemento de bem estar’’
A organização e o planejamento dos espaços vazios urbanos, projetados como elementos arquitetônicos são indispensáveis à integração e qualidade de vida do ser humano em áreas residenciais, comerciais e de lazer. Esta necessidade de interação e organização espacial, abordada pelos profissionais paulistas, Rosa Grena Kliass e Benedito Abbud, foi assunto principal dentro do ciclo de palestras, promovido semana passada, pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina.
Formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e pioneira no movimento brasileiro para a organização profissional da atividade como especialidade, Rosa Kliass foi também a principal articuladora para a criação da Associação Brasileira de Arquitetura Paisagística, em 1976.‘‘ É preciso conceituar que a organização espacial urbana é produto essencial ao desenvolvimento de cidades que projetam e objetivam ofertar qualidade de vida à população. Seja em terrenos, ruas, praças, fundos de vales, centros comerciais, áreas de lazer das edificações, quintais residenciais ou até em pequenos terraços de apartamentos’’.
A arquiteta enfatiza que é impossível, tanto ao poder público quanto às empresas construtoras, desejarem este oferecimento sem que providências como a preservação ambiental e o incremento de novos projetos arquitetônicos paisagísticos urbanos sejam realizados. ‘‘Esta especialidade profissional, diz Rosa, deve ser vista, estudada e projetada como forma essencial para o desenvolvimento da qualidade de vida do homem enquanto habitante urbano.’’
Vegetação é qualidade Defensores do paisagismo como fonte geradora de valores qualitativos, que se agregam diariamente na vida da comunidade urbana, os dois profissionais (veja também a reportagem com Benedito Abbud na última página) atribuem à vegetação a maior responsabilidade por este bem estar.
A preservação dos fundos de vale, a manutenção de canteiros e praças com vegetação e arborização adequadas, enfim, a organização dos espaços vazios são enumerados por Rosa e Abbud, como necessidades básicas à qualidade de vida.‘‘O verde traz a exuberância da natureza, o aconchego.’’, diz a arquiteta que busca, dentro das possibilidades, oxigenar, com a escolha correta da vegetação, os projetos por ela desenvolvidos ao longo destes 40 anos.
A reforma do Vale do Anhangabaú (São Paulo), do Parque do Abaeté (Salvador) e do Aeroporto Internacional de Brasília, são alguns recentes exemplos, somados à sua participação como membro de comissões de estudos e viabilidades para implantação dos planos diretores das cidades de Curitiba e Salvador; do primeiro projeto de desenho urbano do município de São Paulo e do traçado (em 1978) da Avenida Paulista. Em Londrina, Rosa Kliass, realizou o projeto paisagístico do Shopping Catuaí.
‘‘O papel da vegetação em grandes centros comerciais é fundamental para a qualidade e o equilíbrio ambiental. É a vegetação de porte que protege o solo, retém a água e minimiza a erosão. É o verde somado à água (espelhos d’água, cascatas, chafarizes) que proporcionam ventilação, condições favoráveis de sombreamento e a renovação do ar (para a compensação da refrigeração artifical e condicionada). É a integração dos elementos naturais que proporciona o fluxo da vida’’, finaliza.

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