Os jardins suspensos dos centros urbanos
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sábado, 29 de abril de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A quantidade de edifícios nos centros urbanos é prova da expansão indiscriminada do concreto que ainda hoje é símbolo de desenvolvimento. A conturbação ao redor dos pólos comerciais motivou a busca pelo espaço nas alturas que é campo de trabalho e residência para muitas famílias no mundo inteiro.
O afastamento das áreas verdes e a consequente poluição generalizada (terra, água e ar) deteriorou a qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades. O aumento de doenças respiratórias e alérgicas, depressão e estresse são exemplos clássicos dos malefícios causados pela falta de contato com a Natureza. Prova dessa carência é a corrida das pessoas em direção às praias, cidadezinhas, zonas rurais e parques onde é possível passear ou exercitar-se nos finais de semana e feriados prolongados.
O resgate desse vínculo primitivo é a fonte de inspiração para arquitetos e paisagistas que criam verdadeiros jardins sobre lajes de concreto. Segundo o arquiteto e designer Christian Steagall-Condé, essa idéia remonta aos históricos ''Jardins Suspensos da Babilônia'' e de reinados que ostentavam oásis particulares como mostras de poder e distinção.
''Nas décadas de 60 e 70, as lajes jardim e as lajes piscina voltaram à tona com o movimento de contracultura difundido pelos jovens. Além do amor livre e defesa da paz, eles pregavam a harmonia com a Natureza e influenciaram várias áreas do conhecimento, inclusive a arquitetura e o urbanismo'', explicou.
A manutenção do equilíbrio térmico e o isolamento acústico do imóvel são outras vantagens que a convivência com o verde, por meio das lajes jardim, poderá proporcionar aos moradores. Mas, um projeto de qualidade exige a impermeabilização total da área com manta de polímero asfáltico (piche), drenagem perfeita e discreta, precisão nos cálculos estruturais e reforço em pilares, vigas e até fundações.
Conforme Steagall-Condé, isso significa que o custo do jardim suspenso alcançará o triplo investido num similar térreo devido à tecnologia e a mão-de-obra especializada necessárias. O risco daqueles que economizarem no investimento é o aparecimento das temidas infiltrações e o comprometimento na estabilidade da construção.
Segundo o arquiteto e paisagista Carlos Cavalcante Kuhnlein, a técnica utilizada na criação de uma floreira suspensa é a mesma de uma laje jardim. Em primeiro lugar, a lâmina de terra nunca poderá medir menos de 45 centrímetros, sendo que os primeiros dez deverão ser preenchidos com brita ou areia destinados à absorção da água. A seguir, ele sugere a cobertura dessa camada e das laterais com feltro ou tecido semelhante para acomodar a terra adubada. ''A manutenção inclui a renovação da manta asfáltica, no máximo, a cada 20 anos e a descompactação da terra a cada década'', complementaram Steagall-Condé e Kuhnlein.


