Oportunidade de crescimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de agosto de 2010
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 já estão mexendo com o Brasil desde agora. A necessidade de novas construções e melhorias nas cidades, o custo e tempo de execução são motivos de grandes discussões. Especula-se inclusive se a indústria está preparada para o grande número de obras, que somadas a programas sociais de moradia, como o Minha Casa, Minha Vida, já movimentam o mercado da construção.
O assunto é tão importante que foi tema de um painel de seminários dentro do Concrete Show 2010, evento internacional de tecnologia em concreto, realizado em São Paulo nessa semana.
O engenheiro Valter Frigieri, gerente nacional de Desenvolvimento de Mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) afirma que é preciso pensar além da Copa do Mundo. ''Estima-se que sejam executadas cerca de mil obras necessárias nos municípios da Copa, porém o mais importante, é o legado que elas deixarão para a população local''.
Ele ressalta que cada cidade tem uma necessidade diferente para ser atendida para a Copa de 2014. O cálculo inicial de investimentos previstos ultrapassa os R$ 60 bilhões, mas ao contrário do que muitos pensam, cerca de metade do valor está vinculado a projetos de mobilidade social e menos de 10% a estádios.
Frigieri explica que as cidades que receberão jogos da Copa terão recursos financeiros para melhorar vários problemas de infraestrutura. ''Não são problemas da Copa, são problemas nossos que durante o evento vão aparecer para o mundo'', explica.
O engenheiro conta que Países que sediaram eventos esportivos anteriormente, como Espanha e Alemanha, se aproveitaram desse momento para fazer requalificação de áreas degradadas. ''No Rio de Janeiro há uma área de porto completamente degradada mas foi criado um projeto chamado 'Porto Maravilha', que é um projeto que vai valorizar toda aquela área, que hoje é de valor comercial baixíssimo'', comenta.
Um questionamento é se as obras ficarão prontas a tempo dos eventos. No Panamericano realizado no Rio de Janeiro em 2007 houve atraso das obras e desperdício de dinheiro público. Frigieri se mostra otimista pois embora possam haver atrasos, teremos grande desenvolvimento das cidades em pouco tempo. ''Tem-se a intenção (da obra), precisa-se focalizar prioridades, tem que montar projeto, fazer licenciamento ambiental, é um processo muito grande para um país que não está acostumado com velocidade. Precisamos da colaboração da sociedade.''
Cimento
Obras para a Copa ou para as Olímpiadas podem abrir, segundo Frigieri, uma oportunidade para a indústria de pré-fabricados. Apesar de todo esse crescimento, a ABCP não teme que falte cimento, já que muitas indústrias estão se preparando há cinco anos. Para entrar em funcionamento, uma fábrica de cimento leva em média três anos e por isso tem que ser planejada com muita antecedência. Frigieri não descarta que ''eventualmente em algum momento, em alguma região, podemos ter um descompasso, mas não vamos parar o país por falta de cimento''.
- A jornalista viajou a convite do Concrete Show 2010 e da ABCP


