Oferta de casas antigas é maior que demanda
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de março de 2006
Betânia Rodrigues<BR>Reportagem Local 
A opção pela qualidade de vida oferecida nos condomínios afastados do Centro está desvalorizando casas que resistiram ao desenvolvimento no quadrilátero central de Londrina. Imóveis acima de 30 anos nesta região valem mais pela localização do terreno que pela área construída. Segundo o corretor de imóveis Carlos Kenji Nakao, quando esses espaços disponíveis são vendidos, normalmente, destinam-se ao comércio. Caso contrário, o preço negociado pela residência, com certeza, foi muito atraente. ''É difícil para o proprietário aceitar que um barracão custe proporcionalmente mais que sua casa em boas condições de uso. Para concretizar o negócio, muitas vezes, é preciso que ele reduza suas pretensões financeiras'', completou.
A falta de privacidade, iluminação insuficiente, excesso de barulho (principalmente à noite e de madrugada), insegurança e até questões pessoais têm estimulado a venda de residências na área central de Londrina. Cada proprietário possui uma justificativa diferente, mas, na maioria dos casos, eles esperam muito tempo para fechar o negócio. ''Hoje, a oferta é maior que a demanda'', justificou o corretor de imóveis Sérgio Negrão. Na opinião dele, a melhor forma de agilizar a tarefa é fornecer o máximo de informações aos interessados. ''Quando o cliente é um médico na busca de um consultório, por exemplo, é fundamental que ele saiba se o terreno em questão comporta um estacionamento'', sugeriu o corretor.
A dona de casa Maria Madalena Nanci Palácio está vendendo sua casa há dois anos, mas, até agora, não encontrou ninguém que aceitasse sua proposta. Ela quer R$ 250 mil no imóvel de 671 metros quadrados de área, sendo 207 metros quadrados de construção. ''Há 32 anos, esse terreno possuia apenas uma casinha de madeira comprada com o dinheiro que meu pai ganhou na loteria esportiva. Depois da separação e casamento de dois filhos, essa casa ficou muito grande para mim e uma filha. Além disso, ela traz lembranças que prefiro deixar para trás'', conta.
O vizinho Edson Scalassara também colocou sua casa à venda. Segundo ele, a idéia é encontrar mais conforto e segurança num condomínio fechado. ''A propriedade foi avaliada em R$ 380 mil e a oferta máxima não passa de R$ 250 mil. Construi e reformei esse imóvel várias vezes nos últimos 22 anos. Não o entregarei por um valor abaixo do justo'', disse o empresário, que assim como Maria Madalena não está com pressa.
A 100 metros de distância, um empreiteiro, que prefere o anonimato, também vende uma casa de madeira com 30 anos de idade, construída sobre um terreno de 492 metros quadrados. Ele cobra o mesmo valor que Madalena e não aceita permutas em hipótese alguma. ''Quero dinheiro para reinvestir em outros imóveis'', explicou. De acordo com ele, apartamentos de até R$ 70 mil são raridade na cidade porque são muito procurados; entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, a situação é oposta; de R$ 180 mil em diante, a comercialização volta a ser mais fácil.


