Obras subterrâneas: imposição dos tempos modernos
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sábado, 11 de setembro de 2004
Karla Matida<br> Reportagem Local 
É fácil indentificar uma metrópole. É só olhar para cima e ver arranha-céus dominando a paisagem com várias dezenas de andares. Mas nem tudo cresce para o alto para atender as necessidades que surgem com aumento da população. ''As cidades estão se adensando e exigem escavações mais profundas'', explica o engenheiro londrinense Carlos Costa Branco, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Como membro da Câmara de Geotecnia do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Costa Branco participou semana passada como organizador e palestrantre do seminário de geotecnia, com o tema ''Obras Subterrâneas Para Problemas Urbanos''. Entre os profissionais que participaram, o engenheiro civil italiano Giacomo Re falou sobre túneis para uma platéia formada por estudantes, associados do Ceal, entre outros interessados. No currículo de 35 anos trabalhando para a paulista Themag Engenharia, Re inclui seu trabalho na equipe de projetistas da mais nova linha de metrô da capital paulista. ''São 13 quilômetros da linha 4'', lembra.
''As obras subterrâneas têm vantagens e desvantagens, mas elas são uma imposição para as cidades que crescem'', afirma o engenheiro. ''É uma tendência mundial. O Japão, um recordista, constrói 200 quilômetros de túneis por ano'', diz. E o Brasil? ''Por incrível que pareça, no final do século retrasado, o Brasil tinha tantos túneis quanto a Áustria, mas depois parou'', lembra Re. De acordo com o engenheiro, depois de um intervalo, o País está recomeçando agora a escavar.
As escavações mais profundas têm três funções, segundo o engenheiro Carlos Costa Branco. A primeira delas é para criar novos estacionamentos. ''Hoje não se vende mais apartamentos que tenha uma garagem só'', lembra. Para ele, são necessários estacionamentos subterrâneos ''tanto com caráter privado, quanto público, como os próximos a museus'', explica.
Escavar para promover a drenagem também se faz necessário. ''Com os asfaltos e os prédios, as cidades estão cada vez mais impermeabilizadas, e aí acontecem as enchentes'', afirma. A terceira função é construir túneis, ''para transporte de veículos, metrô, o VLT (bonde moderno)'', conta o engenheiro. ''Tudo que puder ficar embaixo da terra é válido para promover qualidade de vida'', diz Costa Branco, que lembra ainda que as escavações também servem para enterrar cabos eletrônicos.
''É pura especulação, mas pela ordem de grandeza da cidade, em 30 anos, Londrina terá metrô'', afirma o engenheiro londrinense. ''Planejar o destino da cidade garante a economia'', avisa Costa Branco, que acredita o poder público tem que começar a pensar a cidade 30 anos pra frente. Ou pra baixo, no caso.


