Obras de Niemeyer num clique de 360º
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sábado, 20 de maio de 2006
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O arquiteto Oscar Niemeyer já viu suas obras serem retratadas de vários ângulos e não hesitou quando os fotógrafos Rogério Randolph e Luiz Cláudio Lacerda lhe propuseram um livro em que todo o ambiente em que elas se situam fosse reproduzido. Quase um ano depois, sai ''Oscar Niemeyer 360º - Minhas Obras Favoritas'' (Editora 360º, R$ 150) em que, além do registro nesta técnica, o construtor de Brasília descreve e explica 22 criações suas. ''Não cobre nem 10% do que ele fez em mais de 60 anos como arquiteto, mas aqui deve estar o melhor de sua obra, escolhido por ele mesmo'', conta Randolph.
Certamente, haverá quem sinta falta de um ou outro prédio ou monumento, mas o principal de Oscar Niemeyer está no livro, que começa com a Pampulha, seu primeiro grande projeto, em 1940, em Belo Horizonte e sua primeira parceria com o presidente Juscelino Kubitschek, então prefeito da capital mineira. Lá estão a igreja São Francisco de Assis e o cassino, ambos decorados com azulejos de Cândido Portinari. A ordem do livro é cronológica e, por isso, chega ao Museu Oscar Niemeyer de Curitiba (de 2002). ''Mas ele não parou aí, pois atualmente trabalha em uma centena de projetos'', lembra Randolph.
Este é o quarto livro da dupla, sempre usando a técnica de fotografar 360º graus de uma paisagem. Eles começaram com o Rio, fizeram Salvador, Fernando de Noronha e a Amazônia. Niemeyer é o primeiro personagem. ''Nossa intenção é registrar o Brasil da forma mais bonita, para mostrar o que temos de bom, de positivo'', ressalta Luiz Cláudio. ''Nesse livro, mudamos o foco de cidades para personagens e escolhemos Niemeyer para começar porque ele é o brasileiro mais conhecido no exterior'', continua. ''Sua arquitetura tem um aspecto escultural e, além da paisagem, ele é original ao projetar o interior dos prédios, pois nunca se preocupa com a distribuição dos móveis dentro deles'', completa Randolph.
Além das marcas registradas de Niemeyer, como o Congresso e os palácios Alvorada e do Planalto, em Brasília, e o Museu de Arte Moderna de Niterói, o livro traz obras que os brasileiros pouco conhecem, como a sede do Partido Comunista francês, em Paris, o Centro Cultural da cidade portuária Le Havre, no norte da França, e a Universidade Constantine, na cidade do mesmo nome, na Argélia. Nem todos esses edifícios estão no estado de conservação que aparecem nas fotos (Le Havre, por exemplo, precisa de restauração urgente), mas os fotógrafos se preocuparam mais com a estética. ''Se uma parede tinha problemas, a imagem era corrigida no computador'', avisa Luiz Cláudio.
O trabalho demorou nove meses, entre a seleção de Niemeyer e o livro estar pronto. O arquiteto gostou tanto do resultado que escreveu textos explicativos sobre cada obra, que receberam tradução em francês, inglês, alemão e espanhol. O livro custou quase R$ 500 mil (entre viagens aos lugares onde estão as obras, pesquisas e uma impressão luxuosa, em papel cuchê) obtidos em duas etapas. ''Primeiro, a BMW do Brasil financiou publicação para ser brinde a seus 2.300 clientes e parceiros no Brasil. Depois, via Lei Rouanet, tivemos patrocínio da Schindler (elevadores) e Densply (multinacional de equipamento odontológico) de R$ 220 mil'', informa Randolph. ''Por isso foi possível ter um preço acessível, sem perder a qualidade.''
Randolph e Luiz Cláudio já pensam no próximo trabalho, talvez sobre a obra do paisagista Burle Marx, mas o de Niemeyer não ficará só no livro. Tal como os quatro anteriores, ele pretendem ainda fazer calendários, pôsteres e até ímãs de geladeira com as fotos. ''Nossa intenção é sempre vender o Brasil, para brasileiros e estrangeiros, mostrando o que temos de melhor, sempre com otimismo'', conclui Luiz Cláudio.


