Obra mapeia a arquitetura dos teatros
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de setembro de 2002
Valmir Santos<br> Agência Folha 
São Paulo Chega ao livro, pela primeira vez, uma ampla radiografia dos principais palcos do país. Organizado pelo arquiteto e cenógrafo J.C. Serroni, ''Teatros Uma Memória do Espaço Cênico no Brasil'' (ed. Senac) traz informações sobre 892 casas de espetáculos, contemplando os 26 Estados e o Distrito Federal.
Oitenta e oito delas ganham painéis mais detalhados, com informações históricas, proprietários, fotos e depoimentos de artistas como Marília Pêra, Tônia Carrero, Paulo Autran, Ítalo Rossi, Lima Duarte, Daniela Thomas, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Antônio Abujamra e Gabriel Villela.
O embrião do livro, a rigor, está na tese de graduação que Serroni, 52, defendeu na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, em 1976, quando mapeou a evolução de alguns edifícios teatrais do município, inclusive os que desapareceram.
Cinco anos de atuação na extinta Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen) também contribuíram para esboçar o projeto alavancado há dois anos pela atriz Fernanda Montenegro, ''ponte'' do patrocínio da BrasilTelecom (R$ 350 mil).
Em formato 25 cm x 30 cm, capa dura, 366 páginas, ''Teatros'' tem tiragem de 5 mil exemplares. Metade será repassada a instituições educacionais, metade colocada à venda.
Do mineiro Teatro Municipal de Ouro Preto, antiga Casa de Ópera de Vila Rica, inaugurado em 6 de junho de 1770 o mais antigo edifício teatral do país , até o paulistano teatro Abril, erguido no lugar do Paramount e aberto em fevereiro do ano passado, são 231 anos de história.
Em ensaio no início do livro, o arquiteto cênico Gustavo Lanfranchi, que assina o design gráfico, lembra que os edifícios teatrais tornaram-se um signo da cultura urbana, relacionando-se com o seu entorno.
Até meados do século 20, predominam espaços umbilicados com as praças onde são construídos, caso do José de Alencar, em Fortaleza (CE, 1910). Hoje, eles estão voltados para shoppings ou centros empresariais.
Cerca de 90% dos palcos brasileiros têm conformação italiana: palco separado da platéia, com visão sempre frontal e definição clara da boca de cena.
Na introdução, Serroni afirma que há espaços que já valem pela concepção arquitetônica. Cita os paulistanos Oficina (criado em 1958 e reconstruído no início dos anos 80 por Lina Bo Bardi e Edson Elito) e Sesc Pompéia (1982, por Lina); o Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (1979, por Oscar Niemeyer); o Castro Alves, em Salvador (1958, por José Bina Filho e Humberto Lemes); e o Ópera de Arame, em Curitiba (1992, por Domingos Bongestabs).
Fernanda Montenegro assina a apresentação; o cenógrafo Gianni Ratto, o prólogo; e o crítico Alberto Guzik, o prefácio.


