Transformar a casa num local aconchegante e agradável é a principal tendência da decoração nesse final de século. Uma das formas de humanizar esses ambientes é fazer uma composição entre peças práticas e funcionais com obras de arte. Elas trazem mensagens, colorem e alegram a decoração.
Um dos artistas mais respeitados no Paraná, Carlos Eduardo Zimmermann, garante que não depende do valor da obra, mas do bom gosto de quem a escolhe. Seus quadros, por exemplo, estão espalhados em residências e coleções particulares de todo o Brasil.
Zimmermann ensina que o estilo e o ‘‘espírito’’ de quem vai morar no local influenciam na escolha, que também varia de acordo com a formação e informação cultural do morador. ‘‘Não restam dúvidas que uma boa obra de arte faz parte do convívio de uma pessoa bem formada’’, diz.
O fator econômico também é decisivo na escolha. Nada impede que uma pessoa use reproduções de bom gosto ou pôsteres interessantes. Zimmermann comenta ainda que nem todos os artistas são caros.
Com opção para todos os gostos e orçamentos, os arquitetos e decoradores estão cada vez mais atentos à necessidade de compôr os ambientes com obras de arte. ‘‘Elas alimentam o espírito e descansam os olhos. São peças que falam por você, que dão aconchego, tranquilidade e prazer’’, define.
O arquiteto Clodualdo Pinheiro Júnior, que assinou o ambiente ‘‘Galeria de Arte’’ na Casa Cor Sul de 1997, sabe exatamente como compôr um ambiente harmonioso, utilizando obras de arte.
Na primeira fase do projeto, ele faz uma ambientação e cria o mobiliário. O acabamento final é voltado à decoração, onde entram os quadros e esculturas. ‘‘É necessário criar todo um contexto, resultando num conjunto harmonioso’’, explica.
Ele conta que muitas vezes o cliente não tem noção da quantidade e disposição correta das obras de arte. Na maioria dos casos é o próprio arquiteto quem sugere o artista e a obra. ‘‘Nós estudamos para isso, temos um vislumbramento melhor de todo o ambiente’’, justifica.
Muitos clientes pecam pelo exagero, querendo decorar seus ambientes com muitos quadros, um ao lado do outro. ‘‘Eles concorrem entre si e nenhum ganha o destaque necessário, passando batido’’, ensina o arquiteto.
Em seus projetos, Pinheiro Júnior tem buscado dar um tom de ‘‘limpeza’’, prezando pelo descongestionamento visual dos ambientes. ‘‘É para não cansar’’, explica. Uma combinação perfeita entre o mobiliário e as obras de arte, em sua opinião, aumenta o tempo de vida útil da decoração.

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