O rei da sala não perde a sofisticação
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 1998
Da Redação 
A história do sofá é tão antiga quanto a história da humanidade. Descendente direto da cadeira - no início era apenas uma estrutura simples de madeira com quatro pernas e um assento - o móvel evoluiu naturalmente, no decorrer dos séculos. A cadeira ganhou costas, braços e foi enriquecida com peles, tecidos finos, pinturas e metais. Reservada a nobres e dignatários, ornamentou palácios e tornou-se símbolo do poder.
A pelo menos 1500 anos antes de Cristo, o mais famoso faraó do Egito antigo - Tutânkamon - já se sentava naquilo que hoje seria um imponente cadeirão, mas que era o seu trono dourado: com braços, um amplo espaldar com embutidos em pasta de vidro, e o ouro e a prata utilizados com parcimônia.
Em Roma, as cadeiras eram pouco vulgares, mas a mais grandiosa - a que estava reservada às divindades - chamavam-lhe thronus, enquanto a cathedra, com braços e costas direitas ou inclinadas, era apenas usada pelos homens ou mulheres mais respeitados e dignitários religiosos e escolásticos.
Contudo, na China, do século I antes de Cristo, o imperador não utilizava aquele tipo de móveis para se sentar. O trono de almofadas bordadas e coberturas de feltro era uma combinação de cama/assento e que, posteriormente, se transformou numa espécie de grande sofá, onde o ocupante também podia sentar com as pernas dobradas sob o corpo.
E tal como na China, o sofá largo também deu origem ao trono na India, região onde a cadeira apenas deixou de ser reservada a cerimônias e atos solenes no século 18.
De um modo geral, nos países orientais, a cadeira com costas já era utilizada no século 9, mas as cadeiras com braços, de dimensões superiores e extremamente requintadas eram consideradas como assentos de honra e geralmente reservadas aos homens de maior importância.
A democratização desse tipo de móvel só começou em meados do século 19, com a industrialização. A produção em série tornam as peças do mobiliário mais acessíveis a uma população cada vez mais numerosa e desafogada economicamente. Enfim os sofás, cadeirões e afins deixam os salões nobres para reinarem em ambientes sociais de todas as classes.


