O porquê, na opinião de brasileiros
Reunidos no último final de semana de setembro na sede do Instituto de Engenharia em São Paulo, para uma platéia de quase 300 profissionais de engenharia e arquitetura, especialistas brasileiros em estrutura, tecnologia de construção e mecânica de solos e fundações, esclareceram dúvidas a respeito do desabamento das torres do World Trade Center (WTC) e apresentaram a versão: houve esmagamento dos pilares remanescentes da região atingida pelos aviões, que fragilizados pelo fogo, receberam toda a carga antes suportada pelos pilares danificados; o desmoronamento se deu pela destruição das juntas entre os módulos pré-fabricados.
Coube ao engenheiro estrutural especializado em projeto de edifícios altos, Mario Franco, mostrar como era o funcionamento da estrutura de ambos os edifícios, de 415 m e 417 m de altura, respectivamente. Nada menos que 57 pilares periféricos, de 35 cm x 35 cm, constavam em cada fachada de 63 m de extensão, espaçados entre si a cada 1 m, e unindo-se acima do térreo em 19 pilares espaçados à distância de 3 m; além de dois pilares em cada canto das torres (236 pilares por andar). Não havia pilares-parede de concreto no núcleo dos edifícios, exceto os pilares de aço do núcleo dos elevadores.
''O conjunto dos pilares externos, solidarizados entre si pelas vigas periféricas, formava um tubo estruturado, cujas propriedades mecânicas eram alteradas pelo fato de não ser constituído por paredes contínuas, mas perfuradas'', explica o engenheiro, ressaltando que esse ''tubo'' não transmitia cargas horizontais ao núcleo. ''Creio que tenha sido o primeiro edifício no mundo cujo núcleo não servisse de elemento estrutural'', disse. Quando da montagem das torres, no final dos anos 60, a estrutura foi executada em módulos de três pilares e três andares, com 3 m x 11,25 m de dimensão. A tecnologia empregada permitiu a construção de três andares de duas em duas semanas. A cada dois pilares foi executada uma viga-treliça, apoiada em coxim de neoprene do lado do núcleo. Em seguida, instalou-se o ''steel deck'' apoiado nas vigas, sendo logo após concretada a laje de 10 cm de espessura.
O peso da explosão
Durante encontro técnico Franco também criticou a tese divulgada pela imprensa brasileira nos dias subsequentes ao acidente, que apontava como co-responsável pela queda da torres um contra-peso de 600 toneladas que funcionava como um pêndulo no alto das torres. ''Se após o impacto do avião não houvesse explosão, é bem provável que as torres estariam em pé. Em ambas, o choque do avião provocou imediata destruição de uma parte dos pilares da fachada, das vigas perimetrais e das vigas-treliças, provocando o primeiro desmoronamento de parte dos pisos atingidos. Após o impacto os tanques de combustível derramaram milhares de litros de gasolina, provocando um incêndio alimentado pela carga térmica do próprio edifício. Pouco a pouco, a temperatura subiu, com progressiva redução do módulo de elasticidade e da tensão do escoamento da estrutura, até que, por volta de 800º C, os pilares se romperam. A parte superior da estrutura desmoronou sobre a inferior, e provocou o colapso progressivo a que assistimos''.
Os possíveis efeitos,
no mercado imobiliário
A Jones Lang LaSalle (empresa de consultoria anglo-americana em operação em mais de 30 países e que está há cinco anos no Brasil) divulgou nesta semana estudo sobre o impacto no mercado imobiliário de Nova Iorque e os efeitos nos mercados globais decorrentes do ataque ao WTC. Entre as conclusões preliminares, a empresa estima que as perdas diretas atribuídas somente a propriedades imobiliárias possam chegar a US$ 10 bilhões, incluindo perda total nos edifícios no entorno do WTC e do World Financial Center. Em Manhattan, a redução imediata de espaço comercial é cerca de 2,4 milhões de metros quadrados com perda líquida ao longo dos próximos 12 meses estimada em mais de 1,9 milhões de metros quadrados, o que representa cerca de 18,5% do mercado de escritórios da região de centro.
O estudo também destacou os impactos do ataque a curto e longo prazo nos mercados imobiliários globais. ''Na perspectiva econômica global, o cenário mais provável será um retorno com cautela e receio aos negócios'' prevê o Diretor Internacional e Vice-Chairman de Pesquisa Mundial, Jacques Gordon.
Na opinião dele, a recuperação da economia norte-americana terá atraso de 6 meses a 9 meses. ''Não imaginamos, porém, uma revoada de inquilinos e capitais dos distritos centrais comerciais, mas a demanda será muito mais forte nos mercados suburbanos'', diz. No que diz respeito a inquilinos, a consultoria prevê que a curto prazo as corporações devam retardar decisões relativas a propriedades e optar por renovação de contratos em vez de mudanças, como uma maneira de preservar capital.
Banda larga X viagem de negócios
Na ótica de investidores e incorporadores, haverá a curto prazo crescimento na demanda por teleconferência e conexões de banda larga como substitutos de viagens a negócios. A este se somarão medidas adicionais de segurança e prêmios de seguros mais caros, provocando aumentos nos custos de gerenciamento de propriedades. Alguns projetos em andamento deverão ser revistos em termos de especificações de construção, volume e configuração. ''Algumas cidades deverão rever seus códigos de edificação, dificultando os processos de alvará e aumentando os custos de construção. Arranha-céus isolados serão mais difíceis de obterem financiamento, e exigências de zoneamento mais estritas serão adotadas'', assinala a conclusão do relatório.
Plaenge, no Top de Marcas
A pesquisa anual que apura o nome das marcas que estão na cabeça do consumidor londrinense, mostra que a Plaenge é a empresa mais lembrada do segmento da construção civil. ''Ser o mais lembrado pelo mercado é resultado de um trabalho que tem como foco a qualidade e a satisfação do cliente'', comemora Fernando Fabian, diretor da construtora.
Segundo ele, a empresa busca superar as expectativas dos clientes no desenvolvimento, na construção e na comercialização dos empreendimentos. ''Todas as ações são baseadas em pesquisas que nos orientam e nos deixam afinados com as necessidades dos clientes''. Ele considera também que uma série de inovações promovidas pela Plaenge colaboram para lembrança da marca no mercado, e cita exemplos: o sistema de plantas flexíveis; os apartamentos decorados abertos à visitação dos interessados já no lançamento; o seguro de entrega do imóvel que proporciona tranquilidade; e o conceito de empresa-cidadã, referindo-se à campanha de preservação do Lago Igapó 2 que ''encontrou eco nos anseios da comunidade.''
Moro, premiada pela CNI
A construtora com sede em Curitiba recebeu o prêmio da Confederação Nacional da Indústria na última quarta-feira, na categoria Qualidade e Produtividade (versão regional), com o ''projeto de implantação de célula de manufatura em execução do drywall'' - desenvolvido graças a uma parceria entre a empresa e a área de pós-graduação de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná. ''Na prática, o projeto é um novo conceito na engenharia civil; é a transformação da engenharia numa verdadeira linha de montagem'', diz o Gerente de Qualidade e Planejamento da Moro Ricardo Schussel.
A ''célula de manufatura em execução do drywall'' é um posto de trabalho móvel. Em obras tradicionais, na hora da instalação do drywall, profissionais descem e sobem andaimes, vão e voltam na busca de equipamento e material. Com o novo equipamento, a equipe tem a sua disposição tudo o que precisa. O posto móvel abriga o projeto de execução, ferramentas, parafusos, rádio comunicador, estações elétricas etc. ''Estamos dando mais segurança aos nossos profissionais, que trabalham com mais eficiência'', acrescentao diretor, observando que o projeto piloto já está sendo usado na obra do Edifício Santos Dumont, no bairro Cajuru, em Curitiba.
Informações e sugestões para Informe Mercado & Construção via e-mail: [email protected]





