O kitsch que é chique
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de dezembro de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Chique é tudo que dá prazer e faz feliz. Na decoração, como na vida, preservando a harmonia, tudo é permitido e faz bonito. Portanto esqueça a palavra brega, e o preconceito que ela inspira. Hoje, o termo é kitsch, uma denominação que traduz melhor o direito de cada um escolher o estilo de que mais gosta.
Estamos falando dos objetos de decoração com temas definidos como peixinhos, florzinhas, vaquinhas, patinhos e o seu uso em conjunto dentro do mesmo ambiente. Com raízes no country, esse estilo é mais uma influência americana.
Na verdade, este estilo agrada a praticamente todo mundo porque tem como apelo o campo, a vida na fazenda e a simplicidade, quase ingenuidade. Fantasias que, de uma forma ou de outra, permanecem no imaginário das pessoas, desde a infância. É quase como brincar de casinha de boneca, afirma a arquiteta de interiores Sharmilla Sandiha.
Ela explica que o kitsch é antes de tudo um modo de vida. Por ser um estilo marcante, no entanto, ele limita muito a decoração do ambiente. Marca demais e, se não for bem dosado vai cansar mesmo quem gosta dele, orienta. Então é melhor não usar? Use o que gosta, só não abuse, responde a arquiteta de interiores. Sharmilla lembra que esta orientação vale para todos os estilos.
O ponto positivo do kitsch está no fato dele caber em praticamente todos os ambientes da casa. O que prejudica é o uso em excesso de um mesmo símbolo. Este recurso é visualmente cansativo e polui o ambiente. Brincar de casinha de boneca é uma coisa, morar em uma é outra bem diferente, reforça.
O que fazer então? A sugestão da arquiteta é escolher o símbolo que mais se gosta e usá-lo com parcimônia, sabendo que ganhará destaque. Sharmilla confessa sua paixão por peixinhos. Não posso ver nada com peixinhos que me apaixono e quero levar para casa, diz. Para controlar este impulso, mantenha o tema e abuse das referências.
No caso dos peixinhos, por exemplo, amplie o tema para a água, plantas aquáticas, conchinhas, etc. Este recurso vai permitir espalhar pela casa inteira a sugestões do seu símbolo predileto. Os peixinhos coloridos são encantadores no banheiro e até no quarto das crianças. Para a sala, prefira quadros com conchas ou uma bonita escultura de peixe que harmonize o ambiente.
O símbolo da vaquinha, um must do kitsch, também é flexível. Na cozinha, ela pode ser transformada em um porta-talheres de madeira ou enfeitar o relógio que marca a hora de fazer os serviços. Fora e dentro da cozinha é possível recorrer a almofadas com as manchas características do animal ou à versão folclórica brasileira, o boi bumbá.
Na sala, uma coleção de vaquinhas vai chamar a atenção e pode até virar o ponto de encontro dos amigos e família. Cada aquisição de uma nova peça pode se tornar um motivo a mais de conversa e festa. Um balde de leite pode ser usado como vaso na sala ou lixo no escritório.
No quarto das crianças, uma colcha com o desenho da vaca malhada é divertido. Um banquinho na forma de vaquinha enfeita o quarto dos pequenos e ainda serve de mesinha lateral ou apoio para alcançar os livros na estante.
É importante lembrar que a casa é de todos os que moram nela. Em alguns ambientes deve prevalecer o gosto coletivo, principalmente nos sociais onde se recebe amigos e convidados. Traduzindo, Sharmilla, diz que embora os ambientes sociais também tenham de ter a assinatura de quem mora, neles é preciso um comedimento maior.


