Da Redação
Portas camarão e de correr para armários e roupeiros. Rodízios com trava para cristaleiras e racks. Gavetas que deslizam sem esforço e têm trava de segurança para não caírem quando puxadas com força excessiva. Cada vez mais a ferragem está fazendo parte da estrutura e do desenho final do móvel. A criatividade e tecnologia desenvolvida à favor da funcionalidade e adequação dos móveis aos novos espaços deu mais liberdade aos designers para criar. Em em muitos casos se transformaram em detalhes charmosos do móvel.
A designer Marilzete Nascimento explica que o desenho do móvel está diretamente ligado ao processo produtivo e a disponibilidade de recursos para colocar em prática o móvel idealizado. Ela cita como exemplo o caso da dobradiça, peça utilizada desde que os artesãos começaram a construir móveis. ‘‘Hoje temos uma ampla variedade de modelos de dobradiças que se adaptam a cada nova situação’’, comenta.
Os armários ou roupeiros com duas portas colocadas na mesma divisão só foram construídos porque a indústria criou uma dobradiça que permite o recobrimento da metade da divisão para cada uma das portas. Outro exemplo da importância do avanço tecnológico da indústria de ferragens é o mecanismo para portas embutidas de estantes. O recurso permite um visual limpo usando um espaço mínimo entre as portas e laterais.
Ela lembra, no entanto, que este avanço da indústria de ferragens para móveis é recente no País. O processo, explica, começou há apenas dez anos, com a abertura do mercado que acabou pressionando a indústria brasileira a investir em tecnologia e a oferecer variedade de produtos a preços competitivos. Há 18 anos coordenando o departamento de desenvolvimento de produtos da empresa Rudnik, o designer Horst Nering ressalta a importância do desenvolvimento da indústria de ferragens. Confirma que até algum tempo atrás o setor que coordena tinha seu trabalho de criação limitado pela falta de opções de ferragens.
‘‘É fundamental conhecer os tipos de ferragens disponíveis para desenvolver o produto. Só assim o profissional consegue agregar os valores técnicos oferecidos pelos fabricantes ao seu trabalho’’, diz o designer carioca Roberto Vicente Leite. Há 37 anos atuando na área de criação de móveis, ele afirma que não basta haver variedade de produtos. Esclarece que o mercado nacional e internacional está em constante evolução exigindo que os designers acompanhem o processo.

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