O 'filé' da demolição
O material de segunda mão antigo, porém, conhecido como ''de demolição'', é considerado o filé mignon do mercado. E como tal, o mais valioso. Há uma justificativa: sua durabilidade e qualidade. ''São portas, janelas, grades que duraram, muitas vezes, cem anos e vão durar mais cem'', informam os especializados em peças de demolição. Afinal, com mais de 40 ou 50 anos de idade, a madeira não empena, não entorta e já está tão seca que dificilmente será atacada por cupim. São as famosas madeiras de lei, como pinho-de-riga, peroba-rosa, jacarandá, que não se encontram mais.
A qualidade é outro item que leva o material de demolição antigo ser mais caro que peças novinhas, saídas da fábrica. A carpintaria e a marcenaria do fim do século 19 e do início do século 20 eram insuperáveis. Não se produziam simplesmente portas, sacadas, vitrôs, faziam-se obras de arte. Os profissionais eram verdadeiros artistas, com um aprendizado de 15 a 20 anos. Em São Paulo, a tradição européia ensinada pelo Liceu de Artes e Ofícios garantiu peças únicas, que davam (e dão) glamour e requinte a qualquer residência.
''Hoje ninguém mais tem coragem e conhecimento para fazer peças tão delicadas e elaboradas, pois se gasta muito tempo e dá trabalho'', explica o engenheiro e proprietário da Oficina de Reciclagem e Restauro Porte du Temps (São Paulo), Salvador César Carletto. Além de durável, bonito e único, o material de demolição também é ecológico. ''Quem escolhe construir uma casa com este material evita também o desperdício, reciclando e recuperando peças'', diz.
Estas características fizeram com que o material de demolição virasse moda nos anos 90, e o modismo encareceu as peças. Mas não se assuste. É possível, sim, construir usando material antigo e pagar um preço justo por ele. ''Se souber comprar, dá para baratear'', garante Sebastião dos Santos, da Casa Alta, uma das raras empresas de demolição de Londrina e região.





