O drama do primeiro andar
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sábado, 27 de setembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Apartamentos localizados no primeiro andar dos condomínios de Londrina chegam a sofrer desvalorização de até 10% tanto no valor total quanto nos contratos de locação. Proximidade da rua, falta de privacidade e de educação dos vizinhos dos andares superiores são algumas das causas para essa desvalorização, que atrapalha proprietários e imobiliárias na hora da venda ou do aluguel.
O aposentado Adelino dos Santos Chaves, morador de um apartamento de 140 metros quadrados no primeiro andar de um condomínio no centro da cidade, conta que sente dificuldades para vender seu imóvel. E ele acredita que a causa seja a proximidade com o solo. ''Muitas pessoas já visitaram o apartamento e gostaram, mas tenho certeza que o negócio não se concretiza porque estamos tratando de um imóvel do primeiro andar''. Chaves também reclama da queda de lixo em sua varanda. ''O pessoal fuma, descasca balas e joga os restos tudo para baixo''.
As dificuldades para se vender ou alugar um apartamento no primeiro andar são confirmadas pelo corretor de imóveis Luiz Carlos Freitas de Oliveira. ''Acredito que isso aconteça pois grande parte dos problemas com encanamento ou eletricidade que ocorrem nos prédios se refletem com maior intensidade no primeiro andar'', conta.
Paulo Sorage Júnior, estudante e residente em um apartamento na zona norte, vai mais além nas reclamações quanto ao primeiro andar. Ele acredita que os moradores desse pavimento deveriam até ter uma taxa condominial menor que os demais. ''Se uma mulher morasse aqui, seria complicado, pois é muito fácil para as pessoas da rua olharem para dentro de casa. Além do mais, ficamos mais próximos do barulho do portão e da área social. E quase nem usamos o elevador''.
A gerente da regional Londrina da construtora Plaenge, Célia Catussi, não chama a diferença de preços entre apartamentos do primeiro andar e os demais de desvalorização, mas sim de ''diferenciação''. ''Até existe um público específico para esses casos. São pessoas com mais idade, que querem a segurança de um condomínio com a sensação de estar morando em uma casa, próximos ao chão''. Célia não soube explicar exatamente os motivos para a desvalorização, mas acredita que a cultura verticalizada de Londrina colaborou para o fato. ''Como é um hábito relativamente novo na cidade, morar em andares mais altos era sinônimo de status. Isso aumentou a procura por apartamentos em andares superiores''.
O corretor de imóveis Alexandre Zundt destaca que nos condomínios mais luxuosos, a diferença de preços entre os andares é ainda maior, mas o processo se inverte quando se fala de prédios populares, principalmente sem elevadores. ''Nesses casos, os apartamentos mais baixos são mais procurados e acabam sofrendo um pequeno ágio''.
Célia Catussi ressalta, porém, que os problemas enfrentados por moradores dos primeiros andares virtualmente não têm solução. ''Algumas novidades estéticas sempre podem ser incorporadas aos apartamentos para aliviar os problemas, mas o que é óbvio é que todos os prédios sempre terão o primeiro andar'', brinca.


