A busca por novos mercados vem exigindo que, além do desafio de ganhar terreno em solo alheio, as empresas também encarem, com objetividade e criatividade, as diferentes características culturais e até mesmo peculiaridades de hábitos e costumes locais para comercializar, com sucesso, seus produtos. No caso da indústria da construção civil, e principalmente no segmento residencial, personalizar os empreendimentos bem ao gosto regional, pode ser a melhor alternativa para enfrentar a competitividade de um novo mercado. Mais que isso: conseguir se manter e bem, mesmo com a empresa-mãe a quilômetros de distância.
''Mais do que edifícios, é preciso construir uma sólida identificação com a cidade'', argumenta o engenheiro Alexandre Fabian, diretor da regional de Cuiabá que a construtora londrinense Plaenge instalou em 1983 no Mato Grosso. ''E fizemos isso personalizando os nossos residenciais de acordo com as características daqui'', diz ele enumerando o saldo positivo da iniciativa tomada há 18 anos: 29 edifícios, totalizando 1.862 apartamentos. Aos mais de 200 mil metros quadrados de área construída neste tempo, se somarão os três lançamentos realizados no primeiro semestre deste ano e mais um quarto, programado para os próximos dias.
A mesma percepção para adaptar e realizar projetos que atendessem clientes com gosto, e jeito de viver diferentes dos londrinenses (onde a construtora atua há 32 anos), também ocorreu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. ''O campograndense não é de sair muito, gosta de ficar em casa. Então, nossos empreendimentos foram adaptados a essa cultura'', exemplifica o diretor da regional local, o engenheiro Edison Holzmann, e onde a Plaenge soma 14 prédios entregues desde 1987 um total de 764 unidades, traduzidas em mais de 120 mil m2 construídos.
Ele conta ainda que em Londrina, por exemplo, muita gente tem empregada doméstica que, além dos serviços gerais, também é a responsável pelo preparo das refeições. ''Aqui é diferente. As pessoas gostam muito de cozinhar, e por isso, em nossos edifícios, projetamos cozinhas maiores, mais amplas,'' enfatiza o diretor da regional Campo Grande.
''Os cuiabanos, por sua vez, valorizam muito mais a vida social. Gostam de salas e sacadas amplas para receber os amigos e reunir a família. Além disso, também usufruem bastante da área de lazer dos edifícios'', conta Fabian.
A personalização dos empreendimentos tem a ver também com as fachadas dos edifícios. Tanto em Campo Grande quanto em Cuiabá, a predileção é por fachadas mais coloridas que em Londrina. Outra preocupação, segundo Fabian, é com o clima. ''Cuiabá é um lugar onde faz muito calor. Tanto que as portas da sacada costumam ficar abertas durante o ano todo. O uso do piso frio, inclusive nos quartos, é bastante comum. Também não há muita preocupação dos clientes com a instalação de água quente'', diz.
Ele conta que, para minimizar o problema climático, a Plaenge está desenvolvendo especialmente para Cuiabá, em parceria com uma empresa especializada na área, um projeto de melhoria do conforto térmico nos apartamentos. ''As paredes terão duas camadas de tijolos e, entre elas, haverá um isolante térmico'', revela.
Com um pé bem fincado no mercado das duas capitais e outro em Londrina, a construtora montou uma infra-estrutura de apoio única para o atendimento das regionais. ''Nossas áreas administrativa, financeira, marketing e orçamento estão aqui'', explica o engenheiro Fernando Fabian, diretor em Londrina. Além disso, continua, o setor de desenvolvimento de software da empresa e o departamento de informática estão sediados na cidade paranaense, que também realiza a compra de parte do material de construção.
''Nossas regionais contratam ainda toda uma estrutura de serviços de Londrina. De agências de publicidade e gráficas até escritórios de projetos elétrico, hidráulico e de arquitetura'', diz. A mesma rede de apoio serve à Divisão Industrial da Plaenge, especializada na construção industrial e que atua em todo o Brasil.

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