O Índice Nacional da Construção Civil (INCC), calculado pelo IBGE em todo o país e referência para reajustes de contratos do setor, fechou o ano passado com alta de 8,94%. No Paraná, a variação acumulada de 2001, de acordo com as pesquisas mensais realizadas pelos Sinduscons regionais, teve a alta mais expressiva no Sul – Curitiba e Região Metropolitana –, com 9,87% de aumento no valor do CUB nos 12 meses. Em Londrina e Norte do Estado, alta de 7,47%; 6,23% para Cascavel e cidades da região Oeste; e a menor variação, de 5,48% para Maringá e Noroeste do Estado.
Mesmo evoluindo abaixo da inflação calculada pelo IGP-M, que atingiu 10,38% em 2001, os índices regionais paranaenses foram, também segundo os departamentos de estatística dos sindicatos da construção, alavancados pela alta dos custos com a mão-de-obra no final do primeiro semestre (data base dos reajustes salariais que em Curitiba representou 11,9%, e em Londrina 8,2%), e pelo aumento abusivo de muitos ítens que compõem a cesta básica em material para a indústria da construção.
Segundo pesquisa do Sinduscon-PR (Curitiba), insumos estratégicos e que têm peso significativo nos custos do setor tiveram reajustes de preços muito acima da inflação no ano de 2001. Alguns exemplos: madeira (22,53%), aço para concreto (CA-50, 20%), vidro (3mm, 16,67%), fio de cobre (16,67%), cimento comum (13%) e tinta latex (10,84%) acumularam as maiores altas no ano passado.
Além destes, outro produto que apareceu com ‘‘destaque’’ na planilha de custos em Curitiba foi a areia lavada para concreto. O produto encabeçou os aumentos no mês de dezembro e seu preço disparou neste início de ano – reajuste de 29%. E mais: um levantamento junto aos 10 principais fornecedores de areia lavada para construção de Curitiba desvendou o acordo em recentes aumentos de preços.
Resultado, o Sinduscon-PR entrou com representação junto ao Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), denunciando a formação de cartel por parte das principais empresas de extração e comércio de areia Curitiba. A denúncia, endereçada ao secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, discrimina nove empresas fornecedoras do produto, além de citar o envolvimento da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná.
A informação de prática de aumentos de preços previamente combinados pelas empresas areeiras surgiu após denúncias de alguns construtores associados, no início do ano. O acordo entre as empresas teria ocorrido numa recente elevação dos preços do metro cúbico de areia para concreto – entre 22 de dezembro e 2 de janeiro. A amostragem do Sinduscon-PR junto às nove empresas produtoras revelou que já havia uma paridade de preços em dezembro – a areia era vendida, em média, a R$ 13,90/m. Após o aumento, o preço mínimo ficou estabelecido pelas empresas em R$ 18,00, caracterizando o reajuste de 29%.
‘‘A areia é um produto básico para a construção civil, em obras públicas, privadas, do consumidor formiguinha e do grande empreiteiro. Aumentos de preço deste produto causam forte impacto sobre todo o setor, e isto já pôde ser comprovado no último levantamento do CUB’’, comentou o presidente do Sinduscon-PR, Ramon Andres Doria, ao denunciar o ‘‘cartel da areia’’ e solicitar, em nome dos associados da entidade, ‘‘medidas imediatas tanto contra o aumento de preços promovido por areeiros como para cessar o acordo entre estas empresas’’.

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