O bruxo da madeira
É divertido notar que Zanine foi, em suas experiências, voltando progressivamente a um primitivismo calculado, chegando a usar uma única tora de madeira para fazer uma cadeira de dois lados um minimalismo ecológico divertido e insolente. Em 1991, participou de uma exposição de artes decorativas no Museu do Louvre, em Paris. Também projetou escolas rurais, por exemplo, com um notável senso espacial, mas com uso mínimo de recursos.
Sua habilidade em retrabalhar restos da natureza lhe rendeu o apelido de bruxo da madeira, epíteto que lhe caía bem. Fazia uso tanto do pau-pobre quanto de peroba, imbuia, ipê, jacarandá. Tocos queimados e raízes desenterradas. Tem casas que fiz a partir do que sobrou da floresta, contava. Catava sucata, pedaços que se julgava inaproveitáveis e depois os transformava em móveis e casas. Na verdade, toda madeira é aproveitável, basta saber como usá-la, dizia.
Sua visão espacial nunca passa despercebida, diz o curador João Pedrosa. Não se entra num espaço de Zanine impunemente; eles são sempre impressionantes.





