CADEIRAS DE BALANÇO Novos designs desafiam lei do equilíbrio ReproduçãoESPREGUIÇADEIRA Modelo italiano: formas sinuosas na madeira recoberta com tecido prometem confortoReproduçãoVersão tradicional: firme no mercadoReproduçãoProjeto de Oscar Niemeyer, esta cadeira de balanço tem a estrutura em lâminas de madeira coladas e vergadas, assento e encosto em palhinha e o rolo, revestido em couro Célia Baroni De Londrina Linhas arrojadas, materiais variados e modelos diversos emprestam mais charme e beleza ao móvel tipicamente europeu que habita o inconsciente brasileiro Quem consegue olhar para uma cadeira de balanço e não pensar em como seria bom poder parar e dar uma ou duas balançadinhas? A cadeira de balanço pode não ser o top de linha da produção das indústrias de móveis, mas ainda hoje ocupa um espaço nos desejos de grande parte das pessoas. Sua imagem vem das histórias infantis, ligada às mães com bebê novo ou aos avós. Seu balanço sempre traz uma conotação de aconchego e tranquilidade. Mesmo assim poucos concretizam este desejo. A arquiteta e designer de móveis, Maria Tereza Carvalho Devides, professora do curso de Desenho Industrial da Universidade Norte do Paraná, explica que mesmo sendo um móvel bonito e desejável, a cadeira de balanço é considerada supérflua. É um móvel que ocupa um espaço maior que o seu tamanho porque exige uma área mínima para o movimento do balanço. Conseguir este espaço nos ambientes cada vez mais pequenos dos apartamentos atuais, comenta, é quase um milagre. ‘‘A escolha de um móvel vai da escolha que se faz para a nossa vida íntima’’, diz a arquiteta, citando a frase do arquiteto Gui Bonsiepe (1978). A ausência da cadeira de balanço, argumenta, é um sinal a mais de que estamos abrindo mão dos espaços para ‘‘ficar’’ – contemplativos, para descansar e relaxar. Para a arquiteta, a valorização dos espaços de lazer é uma tendência que ainda está dando os primeiros passos. Afirma que ainda continuamos correndo contra o tempo, sem tempo para ‘‘viver’’. Como não bastassem os problemas de espaço e estilo de vida, a cadeira de balanço não faz parte da cultura brasileira. Ela chegou ao Brasil, trazida pelos portugueses no início do século 19, mas nunca chegou a fazer parte do cotidiano nacional. Quando chegaram aqui, os portugueses descobriram que os índios tinham seu próprio móvel de balanço: a rede. Mais confortável, fácil de carregar e adequada ao nosso clima, a rede foi absorvida pelos portugueses, vencendo sua concorrente. ‘‘A cadeira de balanço não faz parte do kit-vida do brasileiro, não está na nossa cultura’’, afirma Maria Tereza Devides. Por ‘‘kit-vida’’, termo criado por ela, a professora entende os itens básicos para viver e que a pessoa faz questão de levar sempre que muda de lugar : a família e o mobiliário. Na Europa, por exemplo, a cadeira de balanço faz parte da cultura e a maioria das casas tem uma. O mesmo acontece no sul do Brasil onde há uma grande influência das culturas italiana e alemã. A arquiteta frisa que tudo isto não impede que se realize o sonho. ‘‘Ela não faz parte da nossa cultura , mas está em nosso inconsciente. Ter uma cadeira de balanço é uma decisão íntima e pessoal. É a marca de um estilo de vida’’, reforça. Devides frisa que todo arquiteto já projetou uma cadeira de balanço e cita como exemplo o arquiteto Oscar Niemeyer e Michel Arnoult, nomes de destaque de profissionais deste século. As mais antigas são feitas em madeira, normalmente com assento em palhinha e continuam no mercado. Os novos designs trazem linhas arrojadas que parecem desafiar a lei do equilíbrio. Os materiais usados são os mais variados e incluem desde a madeira, até fibras de vidro. Em vários tamanhos, elas podem ser encontradas na versão chaise longe de balanço e em modelos menores e eficientes. ‘‘Quem quer, consegue achar uma que se adeque ao seu gosto’’, garante. Os melhores lugares para colocar a cadeira de balanço são os quartos, salas de leitura ou televisão, varanda ou sacada. Este móvel, orienta a arquiteta é de uso íntimo e não cabe em salas de estar e espaços onde se recebe visitas.