Nova tecnologia melhora qualidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de novembro de 2000
Liana John Agência Estado 
Uma injeção de oxigênio no tempo e na temperatura certos, durante o processo de queima de pisos e azulejos cerâmicos pode fazer uma enorme diferença na qualidade final do produto e no caixa das indústrias produtoras.
A nova tecnologia de queima em fornos de túnel foi desenvolvida por uma equipe de seis pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Araraquara) e da Universidade Federal de São Carlos, ambas no interior de São Paulo.
A matéria orgânica contida nas argilas cerâmicas é redutora do ferro, que normalmente também está presente nestes materiais, explica José Arana Varela, da Unesp-Araraquara. Ou seja, quando a argila é queimada, os pontos onde havia ferro se apresentam mais frágeis e de coloração escura, sendo conhecidos como coração negro. Tais alterações reduzem a qualidade das peças produzidas e dificultam as exportações.
A injeção de oxigênio, na hora e na temperatura corretas, antecipa a oxidação da matéria orgânica, evitando seu efeito redutor sobre o ferro, acrescenta Varela. Com isso, pode-se também reduzir o tempo do ciclo de queima de 44 para 35 minutos. Essa pequena diferença, se adotada por toda a indústria cerâmica brasileira, traria um ganho estimado de US$ 400 milhões por ano.
A tecnologia agora desenvolvida nas universidade paulistas e patenteada no Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia abre uma nova perspectiva de ganhos de produtividade e qualidade, com a possibilidade de aumentos na produção. Com a nova tecnologia, a capacidade instalada do setor de revestimentos cerâmicos brasileiro poderia ser elevada em 30%, sem haver a necessidade de investimento em capital imobilizado, ampliando a competitividade das empresas nacionais, diz o pesquisador.
Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de revestimentos cerâmicos, com 499 milhões de metros quadrados produzidos por ano, atrás apenas da Itália (572 milhões por metro quadrado) e da Espanha (535 milhões por metro quadrado). A soma do faturamento dos três países chega a 8 bilhões de dólares anuais.
O projeto de pesquisa foi desenvolvido no âmbito da parceria entre o LIEC, a Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos e a empresa White Martins, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O financiamento, de valor sigiloso, foi da empresa White Martins.
Mais informações: LIEC ( http://www.liec.ufscar.br), e-mails [email protected] e [email protected].


