O mercado imobiliário está em plena expansão, graças aos investimentos da iniciativa privada e os programas do governo, aliados ao bom momento da economia. E essa melhora tem atingido também a população de baixa renda. De acordo com um estudo feito pela FGV Projetos, até 2010 a previsão é de que o número de apartamentos e casas financiados cresça em 50%. Em 2008, são 350 mil moradias pagas nesse sistema.
Mas o método artesanal no qual as casas são construídas hoje no Brasil ainda se mostra como um dificultador para solucionar o problema de habitação nas classes mais baixas. Isso porque as obras precisam ser feitas em um espaço de tempo mais curto e com custo mais baixo. Em países como Chile e Colômbia, o concreto tem sido usado como opção na construção de conjuntos habitacionais.
Conhecido como paredes de concretos, o sistema funciona com formas modulares, que são montadas no local da obra e preenchidas com o concreto. O resultado final são paredes lisas que dispensam acabamento e ficam prontas para receber a tinta. Além disso, o material oferece conforto acústico e térmico, aliados à resistência.
Mas sem dúvida a melhor vantagem do sistema de paredes de concreto é a rapidez com que a obra avança. Em apenas três dias é possível construir uma casa popular com 49 metros quadrados. ''Com o aquecimento do segmento imobiliário, a busca por processos industrializados de qualidade e de alta produtividade passou a ser constante'', explica Cláudio Possenti, gerente da SH Formas.
A empresa esteve presente na Concrete Show South America 2008, em São Paulo, e construiu um prédio popular de dois andares em apenas três dias, para mostrar a eficiência do sistema. ''Grandes empresas estão apostando no sonho da casa própria e buscando soluções que possam ser utilizadas em grande escala, com qualidade, rapidez e baixo custo'', garante Possenti.
Outro agilizador na construção das casas com paredes de concreto são as instalação elétricas, que vão embutidas dentro da parede. Quando são desenformadas, as casas estão praticamente prontas. Apenas as tubulações hidráulicas são feitas do lado externo da parede para facilitar possíveis reformas e consertos.
Além da rapidez, a construção em formas e concreto reduz em até 70% a mão-de-obra e diminui em cerca de 20% a produção de resíduos nos canteiros de obra. ''Como todo o processo de construção dispensa escoramento de madeira e outros trabalhos artesanais, é possível treinar um trabalhador em apenas alguns dias, o que resolve o problema da falta de pessoal especializado e ajuda as pessoas a conseguirem um trabalho'', diz Silvio Piva Romero, engenheiro da Construtora Bairro Novo.
A empresa se destaca por seu trabalho em bairros habitacionais para população de baixa renda. Em um deles, na cidade paulista de Cotia, são 2.386 unidades, entre casas e apartamentos que serão construídas com 40% menos tempo. ''Cerca de 90% da obra já está vendida. São construções sólidas, bonitas, construídas como um condomínio, com área de lazer e espaços para comércio. O morador precisa seguir regras para que as casas não se descaracterizem. É uma opção de moradia com qualidade'', comenta Romero.
Atualmente trabalhando apenas no estado de São Paulo, a Bairro Novo já tem projetos para levar seus condomínios para Brasília, Fortaleza, Maringá e Londrina. ''Mas esse tipo de construção só é viável para obras de habitação popular, com várias casas de estrutura igual. Isso porque as formas são caras, feitas em alumínio, e precisam ser aproveitadas ao máximo. Cada forma pode ser usada por até mil vezes'', explica Romero.
*A jornalista viajou a São Paulo a convite da organização do evento e da construtora.

mockup