Mais da metade dos lançamentos imobiliários feitos no Paraná são para a classe C. As estatísticas não são oficiais mas, segundo Marcos Cahtalian, consultor do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), o mercado estadual acompanha a movimentação nacional. ''Tanto que a maioria das construtoras têm uma linha ou uma segunda marca destinada a esse público'', afirma. Segundo ele, a demanda do mercado é aquecida pela necessidade, por consumidores que querem deixar de pagar aluguel para investir no imóvel próprio.
''A mudança do mercado ocorreu porque, agora, esse público tem crédito para comprar. Todos os imóveis vendidos para esse segmento são financiados'', observa Cahtalian. Ele acrescenta que há alguns anos o prazo para pagamento dos financiamentos era de 15 anos, sendo que atualmente, pulou para 30 anos. Os juros também caíram de 12% ao ano para 4,5% a 6% ao ano. ''As taxas caíram e os prazos aumentaram'', diz. Na sua avaliação, o mercado tem potencial para se manter aquecido pelos próximos dez anos, se mantidas as atuais ofertas.
Só em Curitiba e região metropolitana, por exemplo, a média de lançamentos é de cerca de 10 mil unidades por ano. A maior procura desse segmento é por imóveis de dois e três quartos, com preço médio de R$ 150 mil. A área útil tem variado de 45 a 65 metros quadrados. ''É um bom mercado mas com muita oferta, o que obriga as construtoras a trabalharem melhor para melhorar o produto oferecido'', comenta Cahtalian. Ele acrescenta que o programa habitacional federal Minha Casa, Minha Vida está ''praticamente inviabilizado'' em Curitiba devido aos altos custos dos terrenos. ''Há opções somente na região metropolitana'', diz o consultor.

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