Nível da mão-de-obra é alto na região
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domingo, 10 de dezembro de 2006
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O norte paranaense pode orgulhar-se da mão-de-obra utilizada na construção civil. Embora longe do ideal, ainda é melhor que nas demais regiões do Estado, São Paulo e interior. Esta é a opinião de engenheiros, arquitetos e empresas, com ampla experiência de mercado, consultados pela reportagem da FOLHA, nos últimos dias.
A construção civil é a primeira empregadora de pessoas que vêm da zona rural em busca de emprego na cidade e, com pouca ou nenhuma qualificação nas funções de pedreiro, encanador, azulejista, pintor ou marceneiro. Eles iniciam como avulsos, cobram mais barato, porém não assumem responsabilidades. ''É muito difícil encontrar os mesmos operários para trabalhar em obras consecutivas. A autonomia e a filosofia de resultados estimulam a troca de patrão por salário maior. Esse descomprometimento prejudica - à primeira vista - a clientela e, posteriormente, o próprio operário que prorroga sua qualificação'', disse o arquiteto e designer Christian Steagall Condé.
Os profissionais especializados na área costumam atualizar uma lista de mão-de-obra gabaritada para facilitar a contratação e diminuir os problemas. O engenheiro civil Edgar Marin recomenda a parceria com empresas formais que registram a carteira de todos os funcionários. Segundo ele, é uma garantia para ambos lados em caso de eventuais acidentes. ''A dificuldade surge quando necessita-se de trabalhos esporádicos e muito específicos como, por exemplo, serralheiro e marceneiro'', comenta.
Condé desenvolveu uma estratégia simples para conhecer os novos operários: oferece carona até a residência. Dessa forma, descobre onde moram, quais os familiares e amigos, seus hábitos e necessidades. ''Eu seleciono nomes, checo referências e, em última hipótese, recorro aos colegas de profissão. Nossa sorte é que a competitividade não impede a troca de informações'', disse Marin.
Quando o objetivo é uma reforma ou simples conserto a chance de encontrar um 'faz tudo', que promete soluções rápidas e baratas, é enorme. Nessas circunstâncias, muitas pessoas cedem à tentação, correndo o risco de prejuízo e/ou aborrecimentos. Na opinião de Condé, isso seria evitado com a dica de um profissional da área ou mesmo a contratação de uma empresa. ''Ao analisar os prós e contras, até um leigo percebe que o 'faz tudo' é mais ou menos bom ou quase ruim em tudo''.
O cronograma e o padrão de qualidade das construtoras não admitem erros ou imprevistos. A solução é o treinamento da mão-de-obra interna. ''Para evitar contratempos, capacitamos até as empresas terceirizadas'', disse Hiroshi Itikawa, diretor técnico da A.Yoshii, que possui clientes em diversas partes do Brasil.
Os três acreditam que o alto nível de exigência do norte paranaense é o indutor ao aprimoramento da mão-de-obra local. ''Nesse aspecto, podemos dizer que vivemos no paraíso'', completou Condé.


