Nichos comerciais são característicos
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sábado, 19 de fevereiro de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Basta um passeio rápido por algumas ruas de Londrina para perceber que uma das principais características da cidade é a formação de regiões comerciais especializadas: nas vias centrais estão concentradas lojas de roupas e móveis populares, nas avenidas de acesso os pontos são destinados ao comércio de autopeças. Restaurantes, boutiques, clínicas médicas e outros segmentos também estão organizados em determinados pontos.
Seja por motivos culturais ou de infra-estrutura viária, o que determina a concentração espacial de atividades do mesmo segmento ainda é uma questão bastante subjetiva. Urbanistas e geógrafos apontam diversas explicações para o fenômeno, entre elas, a lógica do mercado e da economia, e o desenvolvimento histórico do munícipio.
''A concentração está muito relacionada com a concorrência entre os mercados. É uma questão de âmbito econômico'', disse Gilson Jarcob Bergoc, diretor de planejamento urbano do Instituo de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). Segundo ele, essa é a explicação mais contundente já que não existe nada na legislação que induza à segmentação comercial. A Lei (do zoneamento), conforme acrescentou, apenas determina que alguns lugares são áreas comerciais, industriais ou residenciais.
Para Bergoc, a lógica de mercado e a segmentação do mesmo pode ser aplicada aos mais variados comércios. ''Monta-se uma loja e a estrutura começa a ficar pequena ou começa a fazer sucesso. Outra pessoa aparece e pensa em fazer o mesmo. Isso é uma lógica'', afirmou.
Ele admitiu, entretanto, que alguns fatores influenciam a formação de nichos comerciais. No Centro, por exemplo, o Terminal Urbano foi o ponto forte para a formação do comércio de roupas e móveis populares e outros produtos que pudessem atender o tipo de público que passa pelo local, que não é exclusivamente de baixa renda. ''Isso já envolve uma questão histórica. Ao lado de onde hoje é o Terminal era a Estação Ferroviária, o trânsito de pessoas desde então provocou a formação de nichos'', destacou.
Outra concentração de comércio que tem raízes na história da cidade é a da Avenida Duque de Caxias. ''Lá era uma rua de acesso a Londrina, a via de ligação entre a cidade e Zona Rural. A época condicionou a instalação de lojas de ferramentas para lavoura, peças para carroça, pois muitos agricultores passavam por ali'', lembrou. A Duque, então, era o lugar propício para colocar esse tipo de comércio, assim como a Rua Guaporé (outra via de acesso), cuja área proporcionou a instalação de ferros-velhos, lojas de ferragens e afins.
O fundamental para originar determinados pontos comerciais, na opinião da geógrafa e urbanista, Yoshiya Nakagawara, é a aglutinação de pessoas. ''Hoje não só de pessoas a pé, mas também com carro'', afirmou. Nesse sentido, destacou ela, vias de acesso rápido como a Avenida Dez de Dezembro não são o ponto ideal para a instalação de lojas do mesmo segmento das em atividade na região central, onde o público alvo são as pessoas que caminham pelo local.
A Dez de Dezembro, segundo Yoshiya, favorece o comércio de lojas de autopeças e ferros-velhos, pois o lugar oferece, por exemplo, boa infra-estrutura para quem quer estacionar. Em contrapartida, o ponto é ideal para os comerciantes desse segmento: o local conta com bons depósitos e áreas para instalação desse comércio.
Já os restaurantes estão bem instalados na Avenida Santos Dumond, lembrou a geógrafa. Ela apontou que um dos pontos que favoreceu a segmentação do lugar foi o aeroporto. ''Esse foi o atrativo, pois o lugar provoca um fluxo de pessoas bastante interessante'', acrescentou.


