Mulheres ganham espaço em portarias de edifícios
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sábado, 19 de maio de 2012
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Delicadeza e sensibilidade têm tomado conta de portarias em Londrina, por causa de mulheres que escolheram assumir o posto antes ocupado essencialmente por homens. Agora são elas as responsáveis por zelar pela segurança dos condôminos, receber encomendas.
No condomínio Torre Valverde a profissional de portaria atende pelo nome de Angela Maria dos Santos. Há pouco mais de um ano ela vem vencendo preconceitos e ''tirando de letra'' os desafios que seu emprego lhe proporciona.
Confeiteira em Curitiba, ela conta que ao se mudar para Londrina não fazia ideia de como se inserir no mercado de trabalho, mas viu no crescente número de prédios uma oportunidade. ''Percebi que aqui cada vez mais prédios eram construídos e pensei que poderia fazer um curso de porteiro porque esse profissional poderia estar em falta'', lembra ela, que antes mesmo do término das aulas já estava empregada.
Angela afirma que ainda há certa resistência das pessoas quando descobrem que o porteiro é na verdade uma mulher. ''As pessoas logo pensam que o homem tem a capacidade de transmitir segurança, mas nós mulheres somos muito capazes'', garante.
Ela faz questão de ressaltar que encara o trabalho com muita dedicação e seriedade, colhendo frutos por isso. ''Se preciso me ausentar, no dia seguinte alguns moradores perguntam o que aconteceu e dizem que eu faço falta. Esse reconhecimento é muito importante'', afirma.
Mãe de dois filhos, a porteira considera que outro desafio para as mulheres são os cuidados com a casa. ''O trabalho acaba sendo dobrado, é preciso exercer a funcão aqui e cuidar de casa, mas é prazeroso fazer as duas coisas.''
Vera Lúcia Silveira é outra porteira que tem se destacado na profissão. Há cerca de 5 anos ocupa o cargo no Edifício Palácio do Comércio. No caso dela, o curioso é o horário em que exerce a função: à noite. ''Por ser de noite as pessoas ficam ainda mais receosas em confiar a segurança da portaria a uma mulher, mas nunca tive problemas. No começo achavam estranho, mas hoje já respeitam muito'', esclarece.
Ela afirma estar feliz por fazer o que sempre quis: cuidar da segurança de outras pessoas. A favor das mulheres Vera acredita que estão ainda a atenção que dispensam a quem passa pela portaria, além de serem muito detalhistas. ''Somos extremamente cuidadosas e embora passemos certa delicadeza conseguimos exercer bem a função'', exalta.


