Quem vai até a Zona Norte, hoje, pode não acreditar mas até o final da década de 70 o lugar não tinha asfalto em parte alguma e o único bairro era o Parque Ouro Verde. A região mais populosa da cidade começou em 1977 com a inauguração de 549 casas do Conjunto Ruy Virmond Carnascialli. Era o início dos Cinco Conjuntos, como acabou sendo denominado o maior pólo de casas populares de Londrina.
A designação Cinco Conjuntos foi criada dentro da Companhia de Habitação (Cohab) pelos engenheiros que discutiam diariamente as obras do Luiz de Sá, Aquiles Stenghel Guimarães, Sebastião de Melo Cesar, Semírames de Barros Braga e João Paz. Os operários adotaram o nome, que depois também ficou estabelecido pelos moradores, mesmo quando o número de conjuntos aumentou.
Na inauguração do Conjunto Ruy Virmond Carnascialli, que recebeu este nome para homenagear um ex-diretor do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), vários outros conjuntos já estavam nascendo nas proximidades. O Milton Gavetti, com 740 casas, Parigot de Souza (1170), Sebastião de Mello Cesar (350), João Paz (814), Semíramis de Barros Braga (871), Aquiles Stenghel Guimarães (1000), Luiz de Sá (1000), Vivi Xavier (1000) e Newton Guimarães (287).
Segundo o engenheiro civil Luiz Sípoli, que trabalhava na Cohab na época, em 300 dias foram contratadas 9.093 casas. A homenagem ao BNH teve sua razão de ser: a instituição financiou não só as obras dos conjuntos mas também toda a infra-estrutura da região, asfalto, luz e água.
Foi assim que entre 1977 e 1982 foram construídas mais de 20 mil casas populares em Londrina. Metade foi entregue antes dos anos 80. O movimento na construção civil abriu mais de 10 mil vagas de trabalho em diversos setores. As casas, hoje quase todas reformadas e ampliadas, ocupavam terrenos de 250 metros quadrados, tinham de 23 a 43 metros quadrados e usavam material de boa qualidade. Muitos telhados foram construídos com vigas de peroba. As famílias beneficiadas tinham renda de 1 a 5 salários mínimos.

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