Muito cuidado na hora de financiar a casa própria
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sábado, 05 de setembro de 2009
Nelson Bortolin<br> Especial para a FOLHA 
Financiar a compra ou construção de imóvel é uma decisão que requer muito cuidado. Há vários programas com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou da caderneta de poupança à disposição dos candidatos. As condições são diversas e os juros anuais podem variar de 5% a 15% ao ano dependendo do valor do imóvel, da renda familiar, do prazo de financiamento e até mesmo se a pessoa vai pagar por boleto ou por débito automático. Na Caixa Econômica, por exemplo, numa prestação de R$ 2 mil, o cidadão pode economizar R$ 68 mensais se optar pelo débito automático. Caso seja cliente do banco e detenha um pacote de produtos, a diferença chega a mais de R$ 130 por mês.
As melhores taxas estão na modalidade Carta de Crédito FGTS, na qual se encontra o programa Minha Casa, Minha Vida. Mas o valor do financiamento para aquisição do imóvel, reforma ou construção não pode ultrapassar R$ 80 mil e a renda familiar bruta não pode ser maior que R$ 3,9 mil. Ainda, com recursos do FGTS, existe o programa Procotista, no qual não importa a renda familiar e o valor do imóvel pode ser de até R$ 500 mil. Mas, neste caso, a pessoa precisa ter uma conta de fundo de garantia ativa há pelo menos três anos. Os juros são de 8,16% ao ano mais a TR.
O superintendente regional da Caixa, Roberto Bachmann, explica que as condições de financiamento com recursos do FGTS são as mesmas para todos os bancos que fazem esta operação. As normas são baixadas pelo conselho curador do fundo. O que pode variar são outros custos, como taxa de administração. Já os financiamentos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) têm regras distintas de acordo com o agente financeiro.
Com recursos da poupança, os bancos têm mais liberdade para trabalhar taxas, que podem ser pré ou pós-fixadas. Também podem estabelecer diferenças de acordo com a forma de pagamento (boleto ou débito). E, nesta modalidade, não há limite para valor de imóvel. ''É preciso analisar todos os programas e achar o mais vantajoso'', explica Bachmann. O superintendente aconselha o candidato a prestar bastante atenção nas taxas e no Custo Efetivo Total (CET). ''Por exemplo, a loja anuncia o financiamento do carro a 0,99% de juro, mas, na hora de somar os custos acessórios, o consumidor vai pagar 2%'', exemplifica.
Em um financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida, o CET pode ficar até abaixo dos juros efetivos, graças a um subsídio oferecido pelo governo. No entanto, numa operação pelo SBPE, com financiamento de R$ 180 mil, conforme simulou a Caixa a pedido da FOLHA, os juros efetivos são de 9,5% ao ano, mas o CET chega a 11,20%. Isso porque são incluídos taxa operacional e seguros. A prestação que deveria ser de R$ 1.866 sobe para R$ 1.970 - diferença de R$ 104.
Embora a Caixa responda por cerca de 85% dos financiamentos de imóveis, os demais bancos estão cada vez mais de olho neste mercado. Nos sites da maioria deles há simuladores à disposição dos internautas. Confira alguns: www.bradescoimoveis.com.br; www.itau.com.br/imobline; www.santander.com.br e o da própria Caixa (www.caixa.gov.br).


