César Augusto
Muito se fala sobre a necessidade de racionalizar bens naturais. E não é para menos, afinal muitos deles são limitados e podem ser extintos da natureza, trazendo consequências imensuráveis à humanidade. É o caso da água - bem indispensável à vida humana -, cujo gasto necessita ser minimizado, a fim de evitar sua escassez. Para tanto, é preciso consciência da gravidade do problema, modificando alguns hábitos cotidianos e buscando alternativas, que diminuam o elevado consumo.
Uma opção que vem sendo utilizada, não só em empreendimentos novos, como também em imóveis mais antigos, é o sistema de captação da água da chuva. A idéia de reutilização da água desperta o interesse das pessoas, visto que a prática, além de trazer um bom retorno financeiro, colabora na economia dos recursos hídricos. Renato Santos Costa, vendedor da Hidroval Materiais Hidráulicos, traz uma boa notícia. ''Houve um aumento significativo na procura desse tipo de serviço para residências já construídas''. Segundo ele, é preciso investir entre R$ 5 mil e R$ 6 mil reais para casas de aproximadamente 300 metros quadrados, além da mão-de-obra. De acordo com Costa, em cerca de cinco anos tem-se o retorno do investimento. ''A economia da água é significativa, o que vai refletir nas gerações futuras'', complementa.
O engenheiro civil, Ricardo Peruo Gharid, da Tekenge Engenharia, concorda com Costa. ''A procura pela instalação do sistema tem aumentado''. Ele conta que há cerca de quatro anos, a empresa comercializa, em Londrina e região, o sistema de captação da água da chuva, realizando um estudo de viabilidade. E a procura não se restringe a residências. Muitas empresas e até mesmo igrejas estão 'lançando mão' ao sistema de captação.
O projetista hidráulico e engenheiro civil da Hidralon, Evaristo Queiroz dos Santos, explica que para instalar o sistema é necessário realizar uma pequena reforma na casa. ''É preciso construir calhas e condutores e mexer no piso para enterrar a cisterna - local onde a água fica armazenada -'', afirma, ressaltando que a instalação facilita de acordo com a arquitetura da residência. Segundo Queiroz, os requisitos mínimos para a colocação do sistema são: contar com um telhado amplo - disponível para as captações -, e espaço para a cisterna. O engenheiro alerta para a necessidade de o tamanho da cisterna ser proporcional ao consumo mensal da família. ''É necessário que o volume do local de armazenamento da água corresponda a 50% do consumo mensal'', diz.
E afinal, como o sistema funciona? Queiroz explica que a água é captada no telhado, sendo transportada pelas calhas aos condutores - colunas de água pluvial -, seguindo aos filtros, que tem a função de filtrar e conduzir a água à cisterna, que pode ser enterrada ou apoiada, dependendo do espaço disponível.
Vale destacar que para utilizar essa água, existe uma torneira específica de acionamento restrito -, sendo necessário um dispositivo para abrí-la. ''Quando a torneira é aberta, aciona-se uma bomba que pressuriza e manda a água'', esclarece o engenheiro, que aconselha às pessoas que coloquem um aviso na torneira indicando que aquela água não é potável. A manutenção desse sistema é simples, sendo necessário entre duas e quatro vistorias anuais no filtro.
Deve-se considerar que existe norma brasileira - 15527 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) -, válida desde outubro de 2007, que dispõe legalmente os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis. De acordo com as condições gerais a concepção do projeto do sistema de coleta deve atender às normas da ABNT NBR 5626 e 10844.

mockup