Empresários do setor imobiliário lançaram semana passada em Belo Horizonte, um movimento destinado a ‘‘reavivar’’ a construção civil e o mercado de compra e venda de imóveis no País. Segundo o organizador do movimento, o incorporador Júlio Bogoricin, o objetivo é conscientizar os governos estaduais e federal sobre a necessidade urgente de modificações no sistema de financiamento de imóveis, que torna a compra da casa própria cada vez mais difícil para a classes média e baixa.
‘‘Precisamos fazer um estudo profundo para alterar esse mercado, um grande absorvedor de mão-de-obra, gerador de empregos, e que está ficando a cada dia mais enfraquecido’’, disse Bogoricin. Levantamento do IBGE divulgado há poucas semanas indica que, entre janeiro e setembro de 1998, o setor imobiliário brasileiro apresentou um crescimento de 3,38%, contra 8,45% no mesmo período de 1997. A taxa de desemprego na indústria da construção civil, comparados os dois anos, aumentou de 6,34% para 9,02%.
As principais propostas dos empresários são a substituição da TR pela taxa de inflação, como parâmetro para a correção dos contratos de financiamento, e a criação de um Banco Nacional de Desenvolvimento Urbano, nos mesmos moldes do extinto BNH, para cuidar especificamente do setor de construção civil.
‘‘A TR é um índice político e sem lógica porque foi criado pelo governo para captar poupança, e não para corrigir financiamentos’’, afirmou Bogoricin. ‘‘Queremos que a inflação seja utilizada para os reajustes dos contratos, o que, com certeza, vai diminuir bastante o alto índice de inadimplência registrado hoje, em torno de 10%’’, acrescentou.
Os cerca de 40 participantes do encontro que detonou o movimento, promovido por construtores e incorporadores mineiros, assistiram a uma palestra do professor e consultor Roberto Flávio de Carvalho, da Fundação Getúlio Vargas. Carvalho lembrou que, com as modificações propostas, o País inteiro teria a lucrar. ‘‘O fortalecimento da organização do desenvolvimento urbano significa mais empregos e melhoria na qualidade de vida para toda a sociedade’’, disse.
Após a palestra, os empresários decidiram criar uma comissão de trabalho para elaborar um documento, que deverá ser entregue, primeiro, ao governo mineiro. A etapa seguinte será estender essa mobilização ao Rio, a São Paulo e aos estados da região Sul.

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