A praticidade aliada à funcionalidade são as tendências do mercado moveleiro apresentadas pela III Feira de Móveis do Estado do Paraná (Movelpar), encerrada ontem em Arapongas (37 Km a oeste de Londrina). As peças misturam materiais como madeira, metal e vidro, cuja transparência deixa o ambiente mais leve e dá a sensação de mais espaço. Como resultado, combinações agradáveis aos olhos e ao bolso.
A tendência, na opinião da coordenadora do curso de desenho industrial da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Lilia Paula Simioni Rodrigues, é marcada pela redução dos espaços de moradia que se acentua no novo século. Outra característica na composição dos móveis, de acordo com a professora, está na mudança dos materiais utilizados, exigida pela extinção dos recursos naturais.
A madeira nativa cede espaço para o madeiramento vindo de reflorestamentos ou o MDF (um tipo de aglomerado de maior durabilidade e resistência). Aparecem ainda os materiais sintéticos utilizados no revestimento dos móveis e sofás. Com a redução na oferta da matéria-prima, o conceito de beleza deixa de ser a principal preocupação, mas nem por isso, os móveis perdem o charme.
O gerente de desenvolvimento e marketing da empresa araponguense Moval, expositora com maior estande na feira, João Baronezza Júnior, sugere os móveis planejados ou modulados para a ocupação dos pequenos espaços. Ele destaca ainda que à linha de móveis populares foram incorporados maior profundidade e melhor aproveitamento interno. Os guarda-roupas ganharam puxadores com desenhos anatômicos e luminárias externas que se acendem quando as portas se abrem. As cores predominantes, de acordo com Baronezza, são o mogno, marfim, tabaco, branco e maple (carvalho), conforme a tendência apresentada pela Feira de Milão, na Itália, realizada no mês passado.
Na cozinha destaque para o acabamento em BP (baixa pressão), cuja impermeabilidade permite até a lavagem do móvel. O detalhe é a colocação de aramados para guardanapos, talheres e condimentos, deixando-os mais próximos das mãos, além das peças que se regulam de acordo com a altura desejada. O branco continua predominando, mas permite a utilização de alguns itens, como as gavetas de cores diferentes e a transparência das cristaleiras. ‘‘O ambiente fica mais jovial’’, opina Baronezza.
Linhas retas e pouca costura compõem os estofados. Os tecidos em evidência são os chenilles com diferentes texturas, o buclê e o algodão puro. As cores lisas predominam em tons arrojados como goiaba, tangerina, azul profundo e mostarda. Mas sobra espaço para os pastéis, principalmente os crus. Para os que gostam de estampas a melhor opção são os desenhos minimalistas.
O sofás ganham ainda uma linha retrô, como nos anos 70, e voltam a ter pés palitos em madeira ou alumínio. As espumas hipersoft garantem maior conforto. No assento, a recomendação é a densidade 26, mais uma camada de fibra siliconizada e plumante. Já no encosto e braços a densidade é a 20, também acrescida da fibra siliconizada. ‘‘São sofás confortáveis com uma estética interessante. Afinal o brasileiro não apenas senta, mas se deita neles’’, completa Baronezza.
A Movelpar, além das formas funcionais, deu espaço a lançamentos voltados à preocupação ambiental, como a pia ecológica da Ghel’Plus, de Ampere (57 Km a oeste de Francisco Beltrão). A pia em aço inox tem a cuba mair profunda que o padrão (17 centímetros) e um nivelador de água (ladrão). Ao lado da cuba há um espaço para a colocação de um triturador de lixo. Para os dejetos que não podem ser desmanchados a pia oferece um duplo separador para os lixos orgânico e reciclável. Cada separador possui um cano que deposita o lixo em recipientes diferenciados, que ficam muito bem acomodados na parte de baixo da pia.
A tecnologia, segundo o gerente administrativo, Adelmar Kunh, é da empresa italiana Foster. A Ghel’Plus importa e incrementa o material com alguns assessórios, como escorredores e tábua de corte que se encaixam na cuba. A empresa está lançando ainda uma pia para aproveitamento de cantos, outra cuba em aço anti-risco e ainda a pia com torneira móvel. O preço das novidades, a partir de R$ 1,1 mil, assusta o consumidor. ‘‘O investimento compensa, se aliado à tecnologia e à praticidade’’, justifica Kunh.

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