Móveis de fibra para a casa e o jardim
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 1998
Jackeline Seglin 
Utilizando matéria-prima e mão-de-obra nacionais, dois empresários de Londrina estão investindo na fabricação de móveis de junco para casa e jardim. As opções caem bem vários ambientes, como salas de estar e jantar, quartos e áreas de lazer. A fábrica tem modelos de camas, sofás, poltronas, cadeiras, banquetas e chez-longues.
A idéia de Ademir Figueiró e Antonio Mauro é produzir na cidade peças resistentes, bonitas e aconchegantes, que seriam uma opção aos móveis importados do mercado. Para isso, a fábrica contratou 14 artesãos que vieram do Maranhão especialmente para desenvolver o trabalho. Eles sabem trabalhar com o junco. Desde criança mexem com isso, conta Antonio Mauro, que também é artesão. Além da mão-de-obra especializada, a fábrica ainda manda buscar o cipó na Amazônia. O junco é um produto natural retirado das matas sem infringir as leis ambientais, explica Ademir Figueiró.
Linha de móveis em fibra sintética para áreas externasDepois, todo o processo é realizado na própria fábrica, em Cambé. Recebemos a matéria bruta, o cipó, que é selecionado e depois cozido em água e soda cáustica por 12 horas, para ficar mais flexível e poder ser trabalhado manualmente. Para chegar no ponto de ser colhido, o cipó leva cerca de 50 anos, conta Antonio Mauro.
Segundo o artesão, a matéria-prima nacional tem resistência maior que a importada. Sem contar que os móveis importados não dão reforma. Estes, além da durabilidade, podem ser reformados. Tem clientes que possuem uma peça dessas há 20 anos, garante. Claro que o bom estado dos móveis depende de alguns cuidados. É bom lembrar que o cipó pode ser lavado, mas depois da peça pronta aconselha-se a não ficar exposto à chuva.
Mas o fato de utilizar matéria-prima e mão-de-obra nacionais, segundo Ademir Figueiró, não barateia o custo. O cipó vem da Amazônia e a mão-de-obra especializada é cara. E precisamos dela porque não temos aqui a vivência deles, que são especialistas nisso, diz.
Para se ter uma idéia de custo, a fábrica tem peças que variam de R$ 120,00 (uma cadeira simples) a R$ 3 mil (um sofá). Sem falar no tempo gasto para confeccionar cada peça. Este sofá, por exemplo, demora cerca de 15 dias para ficar pronto, conta Antonio Mauro. A produção diária da fábrica não alcança uma peça por artesão. Aprontamos apenas de quatro a cinco peças por dia, o que dá uma média de 80 por mês.
As peças em junco são feitas em cipó trançado manualmente (com diferentes tramas) e geralmente têm como estrutura o ferro. O acabamento é feito com um selador e cola. Alguns modelos têm design exclusivo de Antonio Mauro; outros são modelos tradicionais do mercado. Ademir Figueiró lembra que todas as peças passam por um estudo ergonômico.
Se o cliente quiser um móvel com aparência mais rústica ainda, os artesãos também fabricam peças com apuí, um cipó que tem entre um e oito centímetros de diâmetro e serve para fazer a armação. Semelhante à málaca, é usado no lugar de ferro, deixando o móvel mais leve que o alumínio. Esse material dá uma boa possibilidade de trabalhar, já que pode ser curvado no contato com o fogo, explica Antonio Mauro.
Além dos móveis de junco, a fábrica está criando peças em fibra sintética - produzida na região - e alumínio colorido. São cadeiras, poltronas, mesas laterais e de centro, banquetas e espreguiçadeiras que têm um visual mais moderno, mais clean. Destinadas principalmente a áreas externas, custam um pouco mais que o material em junco.
Serviço
- DJunco - Fábrica: Rio Jequitinhonha, 534 - Cambé. Show-room: Avenida Higienópolis, 300 - Londrina, fone (043) 336-1315.


