Mostra reúne tendências e boas idéias
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de junho de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Trabalho, cor, despreendimento e seriedade parecem não combinar, não é verdade? O preconceito embutido nessa idéia cai por terra diante do azul hortência das paredes abertas da Sala de Reuniões proposta pelos arquitetos Mônica Prison e Paulo Letti na MD&I Office Show 2000. Dedicada a escritórios, a Mostra de Decoração e Interiores que termina hoje, trouxe as mais novas tendências de decoração de ambientes residenciais e de trabalho.
Em um ambiente onde a opção é pelo branco e tons crus, o azul hortência tem o poder de dar vida ao local e quebrar a sua formalidade sem perder a seriedade necessária. Não há como não percebê-lo. O tom colore a parede curva em dry wall que separa a sala de reuniões da área de apoio, onde está um mini-bar bem equipado, separado por outra parede, a do lavabo. Colore ainda as paredes abertas de uma sala de estar que divide espaço com um ambiente para reuniões.
Mônica Prison e Paulo Letti explicam que o espaço foi idealizado para ser funcional e versátil, compatível com uma empresa sólida, séria, eficiente e com contatos e parcerias internacionais. A valorização e o acompanhamento dos avanços tecnológicos estão claros na instalação de um monitor de plasma para videoconferências, projeções, televisão e computadores.
Toda a sala de reuniões inclusive a sala de estar gira em volta da mesa de reuniões. Oval, com tampo em mármore carrara, ela integra os ambientes cercada de cadeiras Brunô (design criado em 1928). A decoração segue o estilo minimalista pouca quantidade de elementos e formas simples mas ganha força no seu valor histórico e qualidade.
Os dois arquitetos decidiram homenagear o eterno atual utilizando móveis criados há mais de 70 anos e que continuam atualíssimos. Por exemplo, a mesa de reuniões de Eero Saarinen foi criada em 1940; a cadeira Barcelona (em preto na sala de estar) é de Mies Van Der Rohe (1929). Ainda na sala de estar, as poltronas fundas em branco tem design de Le Corbusier (1927).
Não queríamos barreiras de tempo ou fronteiras, explica Mônica Prison. Trabalharam o tempo todo com uma empresa imaginária para quem o mercado é o mundo. Idéia clara na disposição de relógios que marcam horas de vários países, dispostos na parede azul hortência, logo acima da mesa de reuniões.
Ainda na mesma linha, os arquitetos usaram madeiras em tons escuros, formas simples e metais em tom de prata cromados e foscos. Os estofados em cor branca e preto acompanham a composição do ambiente básico, leve e com um clima arejado voltado para evitar o desgaste visual.
Equilibrado e sóbrio, sem excessos formais ou cromáticos, o espaço deixa o destaque para as peças e objetos. Eles foram escolhidos a dedo para que o ambiente deixe transparecer um pouco da personalidade do ocupante. Os arquitetos o descrevem como sério, culto, inteligente, mas humano. As poucas peças mostram um pouco de seu caráter e são uma soma de obras de arte e lembranças afetivas pessoais.
Levar o verde (natureza) para dentro de um ambiente empresarial, esclarecem os arquitetos, humaniza o local. Plantas naturais ajudam a descontrair a rotina de trabalho e interagem e sensibilizam o espaço. Um bambu mossô enriquece a sala de estar com a ajuda de um arranjo floral. Vasos de musgo enfeitam a mesa de reuniões e bromélias em vasos de parede disputam em beleza e cores com dois quadros.
Engana-se quem pensa que essas tendências estão limitadas a escritórios e espaços empresariais. A madeira em tons escuros e os móveis usados pelos decoradores também servem com perfeição para residências; muda o objetivo do projeto que visa mais conforto e aconchego.


