Moradores especiais nos condomínios
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sábado, 19 de abril de 2008
Fábio Brito 
São Paulo - Ter um bicho de estimação em apartamento pode se tornar uma confusão, especialmente se não houver bom senso e educação por parte dos proprietários. Latidos, sujeiras e até mordidas são as maiores causas das reclamações nos condomínios.
Segundo o advogado Josué Rios, a criação de animais de estimação dentro de apartamentos é um debate antigo. ''Há mais de 10 anos se fala no assunto. No começo, os regimentos proibiam todos os animais, sem ressalva. Com o tempo, os tribunais passaram a admitir os cães de pequeno porte. O problema é que os pequenos animais têm ''crescido''. Já é possível ver moradores até com pit bull.''
Angélica Arbex, gerente da Lello Imóveis, de São Paulo, empresa especializada em administração de condomínios, explica que os residenciais têm assembléias que elaboram os regulamentos de uso das áreas comuns, como a garagem e os elevadores. ''O difícil é fazer os condôminos cumprirem regras. Se são respeitadas, a convivência é bem melhor'', afirma.
Para Luis Eduardo Raad Attala, síndico do condomínio Residencial Belvedere II, na Zona Norte de São Paulo, a fiscalização tem de ser feita diariamente, para que haja a obediência das normas. Nesse condomínio, mais de 100 apartamentos têm bichos de estimação e os abusos são proporcionais a essa ''população''. ''Para se ter idéia da gravidade, uma moradora cria um pastor alemão e um poodle em um apartamento de 60 metros quadrados. Um dia o maior escapou. Tivemos de agarrá-lo e quase fui mordido'', afirma Attala.
Outro problema são os dejetos deixados pelos bichos, já que muitos moradores não carregam os animais no colo, como manda o regulamento interno. ''Não sabemos quem é pior, se os animais que fazem as sujeiras, ou os donos que os deixam fazê-las. Os animais são irracionais, os donos não. Tentamos conversar e resolver os problemas pacificamente, mas quando não adianta, aplicamos advertências e multas'', admite o síndico.
A moradora Simone Maria Meneguelli Cavenco, de 39 anos, dona das poodles Lala e Anni, afirma que nunca teve problemas com os vizinhos. ''Eu não as deixo sozinhas e procuro evitar que façam sujeira. Ando com um saquinho para recolher. Eu sei que as regras são necessárias e precisam ser obedecidas, mas algumas não são aplicáveis a todos, como carregar o cão no colo. Tem gente que tem cachorro de grande porte ou mais de um'', explica Simone.
Mas é preciso ficar atento. Segundo Josué Rios, não pode haver abuso por parte dos vizinhos. ''Não existe esta conversa de que no que é meu mando eu. Se o problema não for resolvido internamente, os vizinhos podem entrar na justiça com uma ação cominatória (de obrigação de não fazer) e pedir que o animal seja retirado do condomínio.''


