Célia Baroni
De Londrina

O vidro e seus segredos são fonte inesgotável de inspiração para Jaqueline Terpins. Delicado e imprevisível, ele capitula nas mãos da artista plástica formada em Comunicação Visual pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um domínio que fica claro nas formas de seus projetos de móveis feitos em ‘‘puro vidro’’.
Contrariando a ‘‘delicadeza’’ natural do vidro, os móveis criados pela artista plástica têm formas sólidas e consistentes. É a linha Pixels, um sistema modular formado por cubos e lâminas de vidro hiperplano, todas da mesma espessura. Sobrepostos e juntapostos eles podem compor um banco, uma mesa, estante,um rack e até um puff.
As peças têm linhas claras e uma perfeição matemática. Não há excessos e nada distrai o observador da matéria-prima – ‘‘o puro vidro’’. Resultado que ela atribui a um estudo minucioso e constante das propriedades do vidro e sua reação à luz.
A rigidez das formas é quebrada pelas cores. Mesas, puffs e estantes, aparecem em vermelho, verde e azul; cores básicas da imagems emitidas para televisão, computador, etc.. A textura do vidro que parece quase líquido (fluido), é conferida pela lapidação.
Definitivamente, Jaqueline Terpins, usa o vidro como uma criança brinca com massa de modelar. Ele parece obedecer seus caprichos, sem quebrar nem arranhar. As linhas têm raízes bem presas ao cubismo; os móveis são componíveis, dando um ar de brincadeira e permitindo reformulações.
Os móveis, explica, são oferecidos em uma forma original, mas permitem ao comprador participar da criação, compondo novas formas.
Terpins explica que seu trabalho foi todo desenvolvido em lâminas de vidro de 20 milímetros. ‘‘ O segredo é o encaixe perfeito’, diz. Altamente resistente, o vidro utilizado pela artista plástica é laminado e possui uma película protetora interna.
Qualquer semelhança de suas peças com as obras dos anos 60/70, garante, é pura coincidência. ‘‘Não houve nenhuma preocupação ou intenção em resgatar algo daquela época. Meus trabalhos são resultado de pesquisas e da minha vivência na arte de moldar o vidro’’, enfatiza. Para quem insiste na nostalgia ela concede, no máximo, uma relação com os trabalhos de Mondrian, artista que adotava, em suas telas, uma geometria rígida.
A rigidez dos traços quase desaparece nas peças e objetos de decoração da artista plástica, que usa a técnica do vidro soprado. Diferentes da impressão sólida dos móveis, as peças ganham mais delicadeza nas formas e efeitos da mistura de cores vivas, transmitindo beleza e sensibilidade.

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