Modernas, econômicas e sustentáveis
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sábado, 22 de março de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
Quem procura um imóvel para comprar se preocupa com vários aspectos: conforto, funcionalidade e, mais recentemente, sustentabilidade. Do ponto de vista dos construtores não é diferente. Em busca de economia, qualidade e agilidade para garantir o cumprimento de prazos, novos processos construtivos vem sendo adotados na hora de erguer um empreendimento.
A Plaenge, construtora londrinense há mais de 40 anos no mercado, descobriu no conceito de lean construction uma forma mais eficiente de trabalhar. O gerente de engenharia da empresa, Rogério Cardoso, diz que o sistema, de origem japonesa, amplamente utilizado pela indústria, permite usar os recursos de forma mais racional, agregar valor ao produto e eliminar desperdícios, como deslocamentos desnecessários, uso inadequado de espaço e retrabalho.
"O índice de retrabalho no Brasil é de 2,3%, contra 2% da média mundial; por sua vez, temos 230 vezes mais retrabalhado que no Japão, onde o índice é de 0,01%", detalha. Cardoso observa que o conceito traz, também, uma sustentabilidade embutida, com a eliminação dos desperdícios. Segundo ele, o lean construction começou a ser aplicado às obras da Plaenge no ano passado e já existe um case de sucesso: a obra do edifício Florais Resort Residence, na Gleba Palhano, em fase final de acabamento.
"Essa ação (lean construction) surgiu no Japão no pós-guerra e vem sendo aplicada à construção civil há mais de 20 anos, mas, no Brasil, ainda são poucas as empresas que adotaram", diz Cardoso. No setor industrial, a Plaenge tem exemplos premiados de aplicações de novos métodos construtivos que focam a sustentabilidade. A divisão industrial da empresa conquistou, recentemente, o selo Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) Gold, pela edificação da Geo Energética, em Tamboara (noroeste do Estado).
A construtora já havia recebido o selo uma vez, em 2012, pela fábrica da Matte Leão em Fazenda Rio Grande, região de Curitiba. As certificações foram qualificadas pelo Green Building Council (GBC Brasil). O prédio da Geo Energética foi construído a partir de padrões totalmente sustentáveis, com um sistema inteligente que desliga o ar condicionado quando as janelas são abertas e que apaga as luminárias quando há claridade interna suficiente, possibilitando a redução de 73% do consumo energético.
Apesar do surgimento dessas novas soluções para a área da construção civil, os valores investidos em obras que atendam aos critérios para certificação LEED ainda são superiores aos das construções tradicionais, segundo dados da Plaenge. No entanto, a diferença tende a diminuir conforme o know-how da empresa no processo de certificação. Entre o primeiro e o segundo empreendimento certificado, a construtora londrinense conseguiu reduzir os custos em até 4%.
Benefícios
A Thá, construtora com mais de cem anos de história, também aposta na sustentabilidade como diferencial para seus empreendimentos e, com isso, também conquistou por duas vezes o selo verde LEED, na categoria GOLD. O último empreendimento a ser certificado foi o Edifício Mariano Torres Corporate, em Curitiba, feito em parceria com a BP Empreendimentos Imobiliários.
O diretor da Thá Engenharia, Gilberto Kaminski, destaca que uma série de pontos são observados antes da certificação, como o consumo de energia, níveis de ensolação, cores dos edifícios e janelas que exigem menos luz artificial.
"São detalhes que garantem o conforto, a qualidade de vida e a conservação do meio ambiente", diz, ressaltando os benefícios para a região. "As certificações incentivam a busca por fornecedores que estejam próximos à obra, ajudando a desenvolver toda a região e diminuindo gastos com transporte, combustível e a poluição". Para Kaminski, uma obra não pode ser boa apenas para o investidor ou a construtora, deve ajudar a comunidade e os usuários.
"É importante também que este prédio esteja localizado perto de pontos de transporte coletivo, com bicicletário, supermercados e farmácias. A ideia é sempre buscar eliminar as fontes poluidoras e facilitar a locomoção daqueles que forem trabalhar ali", defende. Segundo L. M., coordenadora de qualidade da Thá Engenharia, estas obras são exemplos da qualidade e adequação da empresa a esta prática.
"Quando terminamos o projeto, apresentamos ao organismo certificador e conquistamos uma pré-certificação. O selo definitivo vem depois do empreendimento pronto", diz. Segundo a coordenadora, após a entrega, aqueles que fizerem uso do prédio devem seguir tomando os cuidados necessários para manter a certificação.


