Misturas não comprometem elegância
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de maio de 2000
Célia Baroni 
É verdade que gosto, cor e amor não se discute e, alguns já crescentaram a esse ditado popular, a religião, a política e o futebol. Por outro lado, quando o assunto é decoração, mesmo os mais decididos aprimoram e enriquecem seus conhecimentos. Efeito do tempo, da preocupação com a qualidade de vida e das descobertas constantes de formas, cores e materiais.
O toque é para quem cultiva o prazer de estar sempre a procura de motivos para fazer da casa um lar. A novidade velha que pode render momentos divertidos e saborosos é a redescoberta do poder decorativo dos pratos de mesa (louça).
A arquiteta Sônia Kosu acredita que a hora da refeição continua sendo um dos poucos momentos que proporcionam um clima de relaxamento e lazer. Mas diz que é preciso esquecer um pouco a formalidade para poder aproveitar mais da convivência familiar e entre amigos.
Não pense que isto significa abrir mão da elegância e dos bons modos. Longe disto. A proposta para quebrar a formalidade do pôr a mesa é optar por pratos com coloridos e até padronagens diferentes. A harmonia é indispensável para a decoração de qualquer ambiente, inclusive a mesa. A receita é o bom gosto e o feeling, frisa.
Sônia Kosu concorda que escolher jogos de pratos prontos dá menos trabalho. Mas garante que uma mesa posta com pratos diferentes e coloridos dá mais prazer. Reforça que uma mesa bem arrumada é como uma obra de arte, causa emoção. A composição das cores, acrescenta, é um atrativo a mais para um dos maiores prazeres da vida: comer e partilhar o alimento.
Quem fica preso a um jogo de pratos, fica perdido quando uma peça quebra, sem falar da dificuldade em encontrar um substituto. Quando os pratos são diferentes, é possível ter combinações diferentes a cada dia. Também não há constrangimentos quando aparece um convidado a mais. Basta encontrar outro prato bonito e que harmonize com os demais.
Industrializados, rústicos ou pintados à mão (personalizados), todos se ajustam a uma mesa elegante e descontraída. Nunca se deve misturar formas e texturas dos pratos a mistura deve estar limitada às cores e padronagens.
Sônia Kosu acredita que as únicas situações que não permitem a brincadeira são as refeições formais ou de negócios. Nestes casos não deve haver dúvidas, a escolha é o jogo de pratos (tudo igual) que aceita, no máximo, baixelas e travessas de alimentos na cor predominante do jogo.
Convencida da possibilidade de adotar um visual mais leve, alegre e prático para sua mesa do dia a dia?. Então vamos à parte prática.
A arquiteta e artista plástica, Jane Benucci, confirma a tendência da utilização de conjuntos com pratos diferentes, no dia a dia e para receber amigos. Fala especialmente dos pratos pintados à mão e dos recursos que as novas técnicas oferecem atualmente. Hoje, com os materiais adequados é possível queimar a cerâmica no forno do fogão de casa e obter pratos com a mesma qualidade que os industrializados, afirma.
Este avanço tornou mais fácil produzir pratos e utensílios de mesa, tornando este artesanato acessível a um maior número de famílias. Até poucos anos atrás, explica, a porcelana e a pintura faziam destas peças, objetos decorativos. Hoje é diferente. Vários profissionais trabalham nesta linha de artesanato sob encomenda, afirma.
A escolha do estilo moderno, geométrico ou tradicional é pessoal e depende unicamente do gosto de quem vai usar. Jane Benucci, lembra no entanto, que independente do estilo e tipo de produção escolhido industrializado ou artesanal , é sempre possível compor conjuntos de pratos diferentes e harmoniosos.
Um exemplo, cita, é a escolha de um tema tradicional como o floral, especificando rosas. O que pode parecer difícil, diz, não é. No caso,basta fazer rosas de cores diferentes com composições diferenciadas para cada prato. O resultado é uma releitura leve do tradicional com a marca do contemporâneo.


