Mineiros preciosos
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de setembro de 2001
Célia Baroni<br> De Londrina 
Linhas retas, solidez e um ''jeito'' de ar livre e campo. Passam os séculos, muda o estilo de vida, mas os móveis em estilo mineiro continuam exercendo uma atração especial até hoje. Desejados, eles são bem vindos em ambientes com decoração contemporânea agregando personalidade ao espaço. Artesanais, eles ''aquecem'' a composição.
Originalmente em madeira, raramente apareciam coloridos. Mas a artista plástica mineira Andrea Maria de Souza Gontijo e sua irmã, Sueli de Souza, apostaram em uma mistura de épocas que deu mais romantismo e delicadeza ao móvel mineiro clássico. Juntaram as linhas tradicionais, quase secas, do estilo à policromia, uma técnica de pintura muito utilizada durante o final do renascimento e fortalecida no barroco europeu.
Os temas usados pelas irmãs são os rurais - para as peças destinadas às áreas de serviço (cozinha) e lazer -, flores em profusão, anjos e pássaros. Os desenhos repetem o real à perfeição com matizes variados. Rico em cores, os traços são arabescados como pede o estilo ''enfeitado'' do barroco.
Réplicas dos antigos, os móveis que servem de tela para Andrea e Sueli são feitos artesanalmente. Até os puxadores respeitam as mesmas técnicas de antigamente. São feitos em chapa de ferro cortados e moldados à mão. ''Cada móvel é único, por isto gosto de classificá-los como obras de arte utilitárias'', afirma Andrea Gontijo.
Com uma produção limitada, os móveis da Art By Minas, empresa criada por elas há cinco anos, não podem ser classificados como de fácil acesso. Mas são inegavelmente ''preciosos''.
Suas qualidades ficam comprovadas na alta receptividade que as peças encontraram no mercado nacional. Vendendo para quase todo o Brasil, a empresa que começou com dois funcionários, atualmente tem uma equipe de sete pessoas para atender à demanda crescente.
Detalhes O móvel mineiro aceito como um estilo genuinamente brasileiro tem como base o colonial e basicamente utilitários. Originalmente feito em madeira maciça, ele conserva as linhas retas mas ganha leveza com formas mais suaves, resultado do aprimoramento do ofício dos marcineiros, agora mais capacitados.
O estilo se consagra no final do século XVII e XVIII, com a centralização do poder na região sudeste do país e o crescimento do poder da cana-de-açúcar e depois do café. Mais informações pelo telefone (31) 3296.8099.


