Milão mostra releitura dos anos 70
Que a moda é cíclica ninguém duvida e nos tempos modernos os ciclos são cada vez mais curtos. Mas isso não significa repetição, é releitura, uma espécie de aperfeiçoamento das tendências que imperaram no passado recente. O Salão do Móvel de Milão deste ano mostrou essa tendência, um tanto saudosista, que nos remete ao passado e que nos faz lembrar de antigas peças, como os bufets e os sofás retos com pés de madeira ou alumínio.
Porém, em tempos de globalizaçao não há espaço para uma linha única. Pelo contrário, as tendências reeditam antigos clássicos e até misturam conceitos opostos. Não fosse assim, como explicar que o high tech conviva harmoniosamente com o milenar estilo oriental? De qualquer forma, o objetivo é um só: proporcionar o máximo conforto ao usuário. O móvel está focado mais no uso que na estética. Talvez por isso o oriental venha ganhado cada vez mais adeptos no Ocidente. As linhas puristas, limpas dos japoneses e chineses ficaram evidentes nas coleções das principais fabricantes presentes ao Salão.
ReproduçãoA altura das camas foi reduzida por influência orientalO uso do vidro, do plástico e do alumínio, já evidenciado nas feiras de Paris e Colônia, foi confirmado em Milão. O tom chocolate, conseguido a partir de madeiras escuras como a nossa imbuia, também foi reforçado. Mas a preferência está na composição do escuro com o claro.
Nos móveis em madeira, predominaram a mistura do marfim com a imbuia ou outra madeira escura e detalhes em vidro e alumínio. A horizontalidade das peças é evidenciada em bufets baixos, que estão por toda a casa, da sala ao corredor, sempre mostrando preocupação com a racionalização dos espaços. As camas e mesas de centro também fizeram redução na altura, como manda o estilo do Oriente.
DivulgaçãoReleitura de clássicos, como o bufet, e a composição dos acabamentos claro e escuro são a última tendênciaO vidro é explorado ao externo em peças para toda a casa, chegando a compor inteiramente uma cabeceira de cama. As cabeceiras, aliás, estão totalmente curvadas, independente do material empregado.
Nos estofados o forte é a mistura do chocolate com tons pastel, notadamente o bege. Os revestimentos são lisos, com ênfase para o chenille. Como tudo é limpo não há espaço para os florais ou xadrezes. Quando muito, um composê entre liso e estampado ou liso e estampado ou liso e xadrez.
O segmento infanto-juvenil, nicho pouco explorado no Brasil, mostrou evolução no conceito de móvel em movimento. Rodízio, trilhos e muita cor, tornam os ambientes divertidos, bem ao gosto dos adolescentes.
ReproduçãoOs sofás são retos e os acabamentos são claros, com ênfase no chenilleA julgar pelo Salão de Milão, finalmente designers e fabricantes descobriram que a função é mais importante que a forma, que conforto é o que conta para o homem do século XXI.ReproduçãoOs móveis infanto-juvanis, com rodízios, trilhos e cores, tornam os ambientes alegresInalva Corsi, de Milão
Especial para a Folha





