O secretário de Desenvolvimento Urbano de Maringá, Guatassara Boeira, não tem dúvida: o elevado preço do metro quadrado na cidade cria um problema social. ''Uma pessoa com baixa renda não pode construir. Com R$ 15 mil é possível erguer uma casinha, mas onde? Se o terreno for barato, com estrada de chão e sem infraestrutura, custa R$ 37 mil'', explica.
Ampliar o traçado urbano originalmente projetado pelo arquiteto Jorge de Macedo é alternativa que já cria polêmica na cidade. A oposição vislumbra ''casuísmo'' na iniciativa, atribuindo-a a ''interesses oportunistas'', sem esclarecer exatamente quais seriam. Também evoca a existência de enormes vazios dentro do perímetro urbano.
Num primeiro momento, a ocupação dessas áreas seria suficiente para aumentar a oferta de terrenos com influência sobre o preço do metro quadrado. Mas não é bem assim. De acordo com Boeira, existem apenas 5,56 quilômetros quadrados aptos a loteamentos no perímetro urbano.
Considerando as chamadas ''áreas de contenção'', formada por propriedades rurais que ocupam o desenho urbano do município, esse número subiria para cerca de 27 quilômetros quadrados, o que permitira a criação de pelo menos 35 mil novos terrenos para edificação. Caso se confirme, esta será a terceira expansão do perímetro urbano na história da cidade.
A última vez que a cidade promoveu alteração no mapa da ocupação urbana foi no início dos anos 1980. Agora a questão volta ao debate como parte da reforma no Plano Diretor, mas a proposta já emperrou na Câmara que pediu prazo de três meses para estudar melhor o assunto. Tudo indica que vem muita polêmica por aí. (E.M.)

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