Mesmo em condomínios, hall merece uma atenção especial
Célia Baroni
De Londrina
Um hall bonito valoriza o imóvel e ganha o papel de ante-sala, mesmo em prédios de condomínios. Primeiro a receber quem chega, seja ele morador ou visitante; íntimo ou não, este espaço está se tornando uma das áreas mais visadas dos edifícios residenciais. A sua valorização através de uma decoração adequada e funcional deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade.
Os arquitetos Marilda Marchiori e Carlos Reppete explicam que esta preocupação é recente. Nos últimos anos, dizem, o número de condomínios que procuram profissionais para elaborar o projeto de decoração de seus halls tem aumentado significativamente. É o reconhecimento de que este espaço aparentemente simples é, na verdade difícil de ser trabalhado.
A decisão, no entanto, não vem só para deixar o espaço agradável e bonito. Para os dois arquitetos, a proposta é usar a decoração como instrumento para otimizar e direcionar a utilização do hall. Respeitar o perfil dos moradores é o primeiro passo para decorar esta área.
Explicam que a parte mais difícil do projeto está no fato do hall ser um espaço coletivo e a sua decoração ter de agradar a gregos e troianos. O profissional trabalha com a expectativa de pessoas diferentes e precisa ter a sensibilidade para juntar todas em um único espaço, resume Marilda Marchiori.
Na lista de desejos comuns a todos os condomínios está um hall confortável, mas não convidativo para jovens e adolescentes fazerem bagunça ou namorarem. A maioria dos condomínios pede que o espaço não tenha objetos e móveis de difícil manutenção. Querem ainda uma decoração funcional.
A diferença entre os projetos de decoração está no modo de viver do condomínio. Se ele não for respeitado, por mais bonito que seja, o hall vai se tornar desconfortável e não vai satisfazer os moradores, alerta Carlos Reppete.
Interpretadas as expectativas dos moradores, o passo seguinte é levantar a melhor forma de utilização do espaço disponível. O projeto dos dois arquitetos para o hall do Condomínio Solar Philadelpho Garcia (centro de Londrina), mostra a importância do trabalho profissional.
O prédio de dois apartamentos por andar tem entradas separadas para os apartamentos. Cada lado do prédio é servido por um elevador e cada elevador tem um hall próprio. Tudo foi projetado de forma a parecer que há apenas um apartamento por andar. Nos dois halls, uma porta faz a ligação com a parte posterior do edifício (pátio e garagem).
As paredes laterais que conduzem ao elevador foram pintadas de cáqui e receberam listas horizontais para indicar o caminho até o elevador. Como o elevador está escondido, o recurso das listas foi utilizado para evitar que as pessoas confundam as duas portas com as entradas para os elevadores.
Com o mesmo objetivo, os arquitetos colocaram uma divisória, criando um pequeno corredor em frente às duas portas, escondendo o acesso. A entrada do elevador é enfatizada ainda com a utilização de um espelho que reflete a entrada para quem está no hall, não deixando dúvidas sobre como chegar até ele.
A linguagem dos sinais está ainda na escolha de poucos móveis para as dois halls. Cada hall conta com espaço para três pessoas sentarem confortavelmente. Desenvolvidos pelos dois arquitetos, os assentos são confortáveis mas têm um desenho onde prevalecem as linhas retas com um quê de formalidade. O objetivo foi desestimular a sua utilização pelos jovens.
A proposta deste hall é receber bem, sem incentivar uma permanência mais prolongada, afirma Reppete. O arquiteto lembra, no entanto, que todo condomínio tem de se preocupar também em ter um espaço destinado aos jovens e crianças para evitar que, sem escolha, eles optem por transformar o hall em local de recreação.
A iluminação é outro ponto forte na decoração do hall. Neste projeto, os arquitetos escolheram dois tipos de iluminação; difusa para a noite e uma iluminação pontual para o dia. A iluminação pontual está direcionada para os locais mais importantes do ambiente: o vaso de flores, a tela principal e a entrada do elevador.
Para eles, mais que móveis e objetos, o hall é um espaço ideal para usar efeitos visuais de impacto. A todos os prós é importante somar ainda o fato já comprovado pelas construtoras e imobiliárias de que um hall bonito valoriza o imóvel e facilita a sua comercialização porque reflete o padrão dos apartamentos.





