Enquanto os imobiliaristas festejam os resultados e os negócios de 2002, as construtoras dividem-se entre lucros e expectativas frustradas. ''Foi um ano excepcionalmente muito bom'', avalia Raul Fulgêncio, da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários. Por outro lado, para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) Norte do Paraná, José Roberto Hoffmann, 2002 foi um ano ''atípico''. Nem todos os construtores pensam da mesma maneira. O publicitário José Renato Mantovani, que detém as contas das construtoras Quadra, Dinardi, Favoreto e empreendedora Teixeira Holzmann, afirma que ''foi um ano excelente para imóveis diferenciados''.
Pelo menos neste ponto todos concordam. Houve crescimento em nichos específicos do setor imobiliário em Londrina, como na construção e comercialização de condomínios horizontais e edifícios com itens diferenciados, a exemplo de áreas coletivas com cozinha da terra e forno à lenha. ''Hoje, o homem está cozinhando muito, por hobby e terapia'', constatou a pesquisa de Mantovani. O Edifício Terra Bela, com 70 unidades três quartos com suíte lançado pela Quadra, nas proximidades do Com-tur, no Jardim Campo Belo, já teve comercializado 50% do empreendimento durante o lançamento. ''Foi um sucesso'', destacou.
Os principais fatores que levaram aos bons negócios deste ano foram, segundo as imobiliárias e construtoras, a boa safra agrícola, principalmente de soja o preço médio no Paraná, para 2002, ficou em US$ 11,1/saca, contra média de US$ 10,0 em 2001, e de US$ 10,4 em 2000 , o consequente giro maior de dinheiro, a vinda da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e a presença de diversas universidades. ''Foram fatores positivos que possibilitaram novos investimentos na cidade'', considera o imobiliarista Abílio Medeiros Filho.
Por conta disto, os fatores limitadores ao setor imobiliário neste ano, como a alta de juros, não tiveram tanta influência em Londrina. ''A despeito da economia nacional, das incertezas, das diferenças cambiais, Londrina teve bons motivos para comemorar'', reconhece Medeiros Filho. O imobiliarista Romeu Curi aponta também as consequências da campanha e eleições presidenciais. ''A expectativa eleitoral gerou cautela e para proteger o dinheiro, houve uma corrida em setembro pela compra de imóveis'', lembrou.
Na avaliação de 2002, o presidente do Sinduscon, José Roberto Hoffmann, afirma que esta situação não reflete o mercado como um todo. ''São nichos e bolhas'', analisa ele. Segundo Hoffmann, a construção civil e o mercado imobiliário trabalharam apenas com 30% da capacidade de produção. ''Na verdade, houve uma redução da construção'', afirma o presidente do Sinduscon, que responde por 450 sindicalizados, da região de Apuracana a Santo Antonio da Platina.
Reponsável por empreendimentos que marcaram pela entrega antecipada (em até dois meses) e por residenciais totalmente vendidos antes do término das obras, a construtora Plaenge avalia que 2002 foi um ano positivo. ''Atingimos as metas mas não avançamos muito além do previsto'', afirma a gerente regional, Célia Catussi. Ela também enumera a fuga dos fundos de investimento, a incerteza no período de campanha eleitoral e a boa safra agrícola como os principais motivos do resultado satisfatório deste ano.
Os últimos dados da Secretaria Municipal de Planejamento retratam a realidade do setor de construção civil nos últimos dez anos, de 1990 a 2000. Há dois anos, em 2000, foram aprovados 738.471,74 metros quadrados em 3.845 projetos de construção e 1.248.248,50 metros quadrados em 10 loteamentos. Em 1995, por exemplo, foram registrados 764.444,88 metros quadrados em 2.486 projetos de construção e 4.403.635,30 metros quadrados em 18 loteamentos, considerada a melhor performance da década.

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