Mercado popular é o que mais cresce no Brasil
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sábado, 20 de junho de 2009
Reportagem Local 
A Classe C, a nova classe média brasileira, representa 52% da população e agora tem mais facilidades com programas de financiamento e utilização de recursos do FGTS na compra de imóveis e na realização do sonho da casa própria. Mas como entender o que a classe C e a população de baixa renda estão buscando? Como essa camada se comporta em relação a escolha de um imóvel? Em um país onde apenas 17,6% dos cidadãos pagam aluguel, por que a casa própria ainda é o maior sonho do brasileiro? A classe C que cresce ano a ano está mudando a estrutura do consumo no Brasil. Agora, mais que nunca, o mercado imobiliário precisa entender que é necessário compreender os medos e expectativas desse novo consumidor que sonha com a casa própria.
O mercado popular é o que mais cresce no Brasil - de 2002 a 2008, a renda das classes C, D e E cresceu R$ 163 milhões. A base da pirâmide melhorou de vida, tem mais renda e crédito e busca imóveis que possam suprir suas necessidades, que são bem distintas do consumidor das classes A e B.
No Brasil, temos uma característica importante nas famílias da base da pirâmide, ou seja, quanto menor a renda, mais gente mora na mesma casa e isso por si já distingue muito bem o mercado imobiliário das classes C, D e E, dos consumidores do topo da pirâmide. Os dados foram levantados em um estudo do Instituto Data Popular, que avaliou o perfil dos consumidores de imóveis no País. O estudo foi feito com base em pesquisas realizadas anteriormente pelo instituto, somado a dados do IBGE. O levantamento envolveu 1,2 mil entrevistados, de seis capitais brasileiras, e foi concluído em abril deste ano.
Para o consultor Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto de pesquisa especializado no mercado de baixa renda, para ter sucesso em um mercado que movimenta R$ 620 bilhões por ano é preciso compreender como se dá o processo de compra do consumidor.
O especialista diz que a maior demanda habitacional está no mercado da base da pirâmide e corrige quem ainda acredita que o consumidor classe A é quem movimenta o setor habitacional. ''A proporção de pessoas com imóvel próprio é menor nas classes C, D e E, mas em contrapartida vê-se que este público da base é muito mais jovem que os das classes A e B. Sendo assim, o número potencial de famílias é maior e a demanda pelo perfil de imóvel que supra as necessidades desse público é o que mandará no mercado imobiliário nos próximos anos'', afirma Renato.
Para dialogar com esse público, ainda segundo Renato, as construtoras e imobiliárias devem estar preparadas para atender exigências específicas, bem como durante a atuação regular no mercado daqui para a frente. O consumidor de baixa renda, segundo ele, tem mais medo de não receber o imóvel, pela importância que atribui à aplicação de um dinheiro que foi sacrificante conseguir. A ligação com o bairro também é outro fator que deve ser levado em conta, pois geralmente na vizinhança esse público concentra parentes e familiares e evita se afastar quando quer comprar ou alugar uma casa.
A compra do imóvel pela base da pirâmide, segundo pesquisas conduzidas por Meirelles, é norteada principalmente pelo medo de não conseguir pagar o imóvel ou atrasar as parcelas, enquanto as classes A e B se preocupam mais com exclusividade e segurança. ''É preciso ter um cuidado grande na hora de vender para esse público de baixa renda. Deixá-lo seguro e ser honesto ao propor o negócio é o mais importante para ter sucesso'', conclui o especialista.
Criado em 2002, o DATA Popular surgiu para produzir conhecimento de qualidade sobre o mercado popular no Brasil. A empresa é especialista no desenvolvimento de pesquisas e análises para entender como funciona o mercado de baixa renda. Seus estudos avaliam a relação deste público com produtos e marcas para descobrir qual a melhor forma de se comunicar com um segmento responsável por um mercado de R$ 620 bilhões por ano.


