O Residencial Brisas é um exemplo de como o mercado imobiliário em Londrina está aquecido. A obra nem foi lançada oficialmente e o material publicitário ainda está em produção, mas já foram comercializadas 98% das unidades. Dos 304 apartamentos previstos para as duas torres de 19 andares, restavam apenas seis à disposição dos interessados na quinta-feira de manhã. O edifício é considerado de padrão médio, cada apartamento custa em torno de R$ 160 mil e as vendas foram feitas em apenas 40 dias. Outras obras de médio e alto padrões, em fase inicial, também alcançam índices elevados de comercialização, variando entre 80 a 90%.
  Mas não é só isso. Há outro fenômeno sendo observado no mercado imobiliário em Londrina: dezenas de clientes estão em lista de espera, interessados em futuros lançamentos. Ou seja, há compradores para obras que ainda nem foram projetadas.
  Este retrospecto faz aumentar o enstusiasmo do imobiliarista Raul Fulgêncio, que atua no setor há 36 anos. Ele reconhece que a construção civil vive um bom momento em todo o País, mas faz questão de destacar que em Londrina esta fase é melhor ainda. O empresário afirma que os investidores de outras cidades que vem à Londrina ficam impressionados com o ritmo acelerado no setor. ‘‘Enquanto a média nacional é de dois anos para a venda de um apartamento de 250 metros, por exemplo, em Londrina nós vendemos o mesmo apartamento em apenas um ano, ou seja, a metade do tempo’’, diz Fulgêncio.
  Segundo ele, não é apenas a Gleba Palhano, entre o Igapó e o Shopping Catuai, que está crescendo. Isto se verifica também nas proximidades do próprio shopping, onde além dos condomínios horizontais, começam as obras de vários edifícios. O empresário lembra que até no centro, onde há pouco espaço para novas construções, há obras de grande porte em andamento. Isto sem falar nos empreendimentos comerciais na região Norte e no Marco Zero da cidade. Ele cita que a Gleba Palhano chama mais a atenção por concentrar a maior número de torres construídas nos últimos cinco anos e ter, portanto, maior visibilidade.
  Fulgêncio mostra os apartamentos decorados no show room da Construtora A. Yoshii, onde o comprador tem a noção exata do imóvel. ‘‘Na planta cabe tudo, mas aqui ele sabe o que vai comprar, e tudo tem que sair exatamente como estᒒ. Além do tamanho real e dos materiais empregados na construção, em um dos lançamentos o interessado ainda observa um material ilustrativo com a visão panorâmica que ele terá da cidade a partir daquele imóvel. ‘‘É algo que a gente não vê em outras cidades do porte de Londrina’’, compara.
  O empresário mostra que este entusiamo pode ser transformado também em números. Só a imobiliária dele, que centraliza a venda de grandes construtoras da cidade, comercializa atualmente 1,5 apartamento por hora, o que corresponde a 12 unidades por dia. O maior volume se verifica nos finais de semana, quando as famílias têm mais tempo para procurar o que desejam. Ele se lembra que em um feriado recente, apesar da chuva, ‘‘o movimento foi espetacular’’.
  O imobiliarista afirma também que o bom momento vivido pela construção civil em Londrina estimula vários setores da economia, tais como as lojas de material de construção, de cozinhas planejadas, de móveis, de eletrodomésticos, escritórios de engenharia e arquitetura, e, inclusive, a geração de empregos. Hoje, diz, não existem mais nas obras aquelas famosas placas com a inscrição ‘‘Não há vagas’’. ‘‘Londrina sempre surpreende no sentido positivo e posso afirmar com certeza que a cidade nunca viveu um momento como esse; a cidade se transformou em um grande canteiro de obras’’, conclui o empresário.

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