Mercado imobiliário cresce no Litoral
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sábado, 28 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de quase uma década com o mercado em baixa, construtoras e imobiliárias que atuam no Litoral do Estado estão otimistas com o aquecimento que o setor começa a apresentar. A HJ Construtora, especializada em imóveis de alto padrão, está com três novos edifícios em andamento. Dos 30 apartamentos oferecidos, apenas dois ainda não foram vendidos. A Apolar Litoral, franquia da empresa que comercializa imóveis novos e usados, também contabiliza um aumento nas vendas nos últimos 12 meses e aposta em mais e melhores negócios para os próximos.
''As vendas estão melhorando em todo Brasil, e no nosso litoral não é diferente'', avalia o diretor do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (Sinduscon/PR), Volmir Selig, ressaltando que a expectativa de melhoria do mercado é geral no setor. Para George Fernando Azevedo, da Apolar Litoral, o crescimento nas vendas nos balneários paranaenses tem uma razão certa. ''Estamos tendo uma migração mais expressiva de pessoas que trocaram o Paraná por Santa Catarina e agora estão voltando'', diz.
Descasos - De acordo com ele, as vendas caíram para valer há cerca de dois anos, quando a conclusão da duplicação da BR-376, que liga Curitiba a Santa Catarina, coincidiu com uma sucessão de descasos das prefeituras locais, que não investiram na melhoria da infra-estrutura dos balneários. ''Agora nossas praias estão melhor preparadas, chega-se às praias em uma hora, a estrada de acesso também é boa. Tudo isso fez com que muitas pessoas voltassem'', diz Azevedo.
O aquecimento das vendas no último ano está longe da época áurea da construção civil no Litoral paranaense. Na década de 80 e início dos anos 90 foram construídos a maioria dos edifícios das três praias mais frequentadas, Caiobá, Matinhos e Guaratuba, e praticamente todas as construtoras de Curitiba tinham obras nas praias. ''Naquele tempo vendia-se um prédio em uma semana, e à vista ou no máximo em duas vezes'', conta Jairis Neppel, sócio da HJ Construtora, empresa londrinense que está há dez anos em Caiobá.
A venda de três prédios novos na última temporada é motivo de otimismo para os proprietários da HJ, que decidiram apostar em mais quatro empreendimentos. ''Em 1994 o mercado estava bem aquecido, vendíamos dois a três prédios por ano. depois caiu bastante, estagnou. Começou a melhorar em 2002, pouco antes da eleição, e continuou crescendo'', diz Neppel.
Lazer - Apesar de serem imóveis normalmente usados só para lazer, seus preços não são mais baixos do que os de construções em grandes cidades. O metro quadrado de um apartamento de alto padrão em Caiobá custa cerca de R$ 1,3 mil, contra R$ 1,5 mil em Curitiba. Neppel cita três motivos que encarecem as construções na praia: o menor aproveitamento do terreno já que a lei de zoneamento permite obras de no máximo seis andares; o preço do frete dos materiais; e a utilização de materiais especiais, mais resistentes à agressividade do meio-ambiente. De acordo com Azevedo, da Apolar, é possível encontrar lançamentos mais baratos. Em balneários como Pontal do Sul e Gaivotas, por exemplo, o metro quadrado oscila entre R$ 800 a R$ 1mil.
Especializada na construção de prédios sofisticados e de alto padrão, a HJ entrega no final do ano dois edifícios sendo que cada tem apenas uma unidade à venda. O Waikiki, em Caiobá, tem 15 apartamentos de 115 metros quadrados e preço de R$ 109 mil. O Ilha de Bali, na Praia Mansa, mais sofisticado e localizado em área mais valorizada, tem 10 apartamentos de 165 metros quadrados, vendidos ao preço de R$ 198 mil. Até o final de 2004, a empresa finaliza o Arquipélago das Bahamas, localizado de frente para o mar, com apenas cinco apartamentos de 320 metros quadrados, todos já vendidos, ao preço de R$ 420 mil.
A JH também está lançando, na 13 Feira de Imóveis do Paraná, realizada em Curitiba entre os dias 24 e 29 deste mês, o edifício Punta Del Este, com previsão de entrega para o final de 2006. Localizado em Caiobá, a uma quadra do mar, o imóvel tem três apartamentos por andar, todos com amplas sacadas com vista para o mar. Na área comum, os moradores vão contar com salão de festas integrado com salão de jogos, sala de ginástica, sauna, piscinas, ofurô e mini quadra infantil. Os apartamentos de 174 metros quadrados serão vendidos a preços a partir de R$ 226 mil e as coberturas, com 336 metros quadrados, por R$ 435 mil.


