Mercado de tintas aposta em cores vivas
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sábado, 23 de setembro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - Tímido e medroso, o brasileiro perde o rebolado na hora de pintar a casa. ''Ele tem vontade de mudar, mas o receio é enorme e ele fica na mesmice'', sintetiza Érica Taguti, consultora de cores da Suvinil.
Mesmo assim, o mercado cumpre seu papel. A Suvinil oferece mais de 2 mil cores ao cliente; a Coral, que importa o catálogo da matriz inglesa, 6 mil. É um salto e tanto: dos anos 60 aos 80, a indústria de construção civil brasileira trabalhou com uma cartela cromática de apenas seis cores. ''Não havia opção'', admite a decoradora Elisabeth Wey, presidente do Comitê Brasileiro de Cores (CBC).
De uns 10 anos para cá, porém, o mercado entrou em ebulição. Surgiram as massas texturizadas, os acabamentos que imitam mármore e os perolados. Hoje os pontos de venda encantam o consumidor com recursos de última geração. O sistema de análise de cores lançado pela Coral em 1993, por exemplo, ampliou as opções de compra. Aparelhos sofisticados são capazes de ler e decodificar qualquer amostra a partir de um resto de tecido ou de massa corrida.
Antes de o consumidor se perder com a variedade de opções, o CBC a exemplo do que acontece nos Estados Unidos e na Europa, indica a seleção de 24 tonalidades que serão tendência no biênio seguinte. A iniciativa dá suporte ao desenvolvimento de produtos do setor têxtil à indústria de cosméticos. É o tipo de informação cara: cada pesquisa-base do comitê vale até US$ 50 mil e reúne informações culturais ''transnacionais''. O CBC interpreta os dados e projeta, nas cores que saltam das pesquisas, um toque de latinidade, com o amparo do Centro de Estudos de Cor para a América Latina (Cecal). ''Vivemos uma época passional e de busca pela paz, de São Paulo ao Oriente Médio'', diz Elisabeth Wey. ''Sensações culminam em cor, sabor e também textura.''
Maturada há cinco anos, a cartela eleita pelo CBC para 2006 e 2007 destaca três categorias de cores: Oásis (frias), Bolero (quentes) e Orgânico (neutras). Estão em alta os verdes cítricos o pink, o berinjela e os azuis. Acostume-se portanto a nomes como ''luna'', ''iceberg'' e ''pavão'' - eles se inspiram nos catálogos americanos e europeus. Para conhecer a lista completa, basta consultar a internet (www.mundocor.com.br).
Mas a escolha radical dos profissionais nem sempre convence os clientes. A decoradora Cristina Bozian entende o medo. ''Apesar de a pintura ser a mudança mais barata numa reforma, a cor da parede é mais marcante do que um objeto colorido... Prefiro usar a base de branco sujo em portas, rodapés e teto para depois brincar com tons.'' Foi o que ela fez na sala de jantar de um apartamento, em que usou o cáqui por inteiro. Na saleta de TV, o mostarda surgiu da observação de uma obra de arte.


