Mercado de materiais fatura R$ 32 milhões
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domingo, 30 de dezembro de 2001
Ligia Barroso<Br>Especial para a Folha 
Atualmente são 105 mil estabelecimentos de vendas de material de construção no Brasil, que devem, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes (Anamaco), terminar o ano de 2001 com um faturamento de R$ 32 bilhões. Considerado por muitos (dos grandes) como um ''setor difícil de sofrer uma queda'', pois não depende de datas para alavancar vendas e mantém crescimento constante assim como a população que deseja construir ou reformar , é analisado (pelos menores, e ainda otimistas) como mais uma das atividades da cadeia produtiva da construção que também teve que reduzir sua margem de lucro, investir na profissionalização e assumir muito dos custos, para poder (pelo menos) manter as portas abertas.
''Tivemos sim, um crescimento de vendas. Mas em contrapartida, e até para que o aumento no volume de negócios fosse possível, os ganhos tiveram que ser reduzidos'', diz o presidente da Acomac-Londrina, Antonio César Delci. Segundo o presidente da associação que reúne 110 pontos de vendas na cidade desde grandes redes a depósitos de material básico e pequenos comerciantes o setor que, estima-se, tem um faturamento mensal de R$ 5 milhões (Londrina) teve que se qualificar e operar com margens de lucro menores para poder competir, sobreviver. ''E ainda assim, cerca de 10% dos depósitos de material básico e lojas com itens de acabamentos, fecharam suas portas em 2001, aqui em Londrina.''
Uma das razões, segundo Delci: ''Cerca de 65% dos nossos maiores consumidores são os 'formigas'. Os que compram sempre, às vezes até ao longo de anos, mas compram pouco. Além disso, hoje buscam, pela cidade inteira, o melhor preço. E na maioria das vezes, diferença de centavos, em uma saca de cimento, de um ou dois reais numa carreta de areia, de pedra, ou ainda no milheiro dos tijolos, faz com que ele deixe de comprar no depósito vizinho à sua obra, ou localizado próximo ao seu bairro, por exemplo. E isso, para nós comerciantes, representa que, ganhamos na venda, mas vamos ter que arcar com os custos da entrega. Dependendo da distância para o frete, e considerando as despesas absorvidas com a manutenção do caminhão, motorista e ajudante, podemos ter nosso lucro reduzido a zero naquela venda''.
Mas apesar disso, ''o mercado se mantém bom, e tende a crescer ainda mais em 2002, para quem se qualificou, oferece bom atendimento, e consegue oferecer preços competitivos''. Segundo o comerciante, que atua no ramo na região Norte de Londrina, a profissionalização e o entendimento que os associados da Acomac têm hoje sobre a importância da capacitação de seus funcionários, faz a diferença a maior , no faturamento mensal da empresa.
''Ter experiência, receber treinamento adequado e saber planejar, são essenciais para a sobrevivência neste setor, tradicionalmente muito competitivo'', diz Delci, enfatizando que ''cada vez mais, estes nossos clientes fazem suas próprias reformas, por isso procuram também, junto com o melhor preço, funcionários que conheçam o que estão vendendo e que forneçam informações precisas sobre os produtos a serem comprados.''


