Mercado construtor cresce em Curitiba
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 1998
Ligia Barroso 
A produção imobiliária residencial e comercial em Curitiba, nos oito meses deste ano, é 61,44% maior do que o registrado em igual período de 1997. No ano passado foram produzidos 1.201.295 metros quadrados nos 12 meses. Em 98, até o mês de agosto, a construção imobiliária na capital paranaense quantifica, em metragem, o significativo crescimento do setor: são 1.170.929 metros quadrados mensurados pelo volume de produção e unidades concluídas.
Os dados são da pesquisa realizada pela Volpi Júnior Engenharia para a Comissão de Economia e Estatística do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná. O levantamento foi a partir das informações fornecidas pela Secretaria de Obras da Prefeitura de Curitiba sobre os certificados de vistorias e conclusão de obras.
Dividem esta produção total, a construção residencial (923.715 m2) e a comercial (247.214 m2). Foram concluídas neste ano quase 8 mil unidades residenciais - 41% a mais do que nos oitos meses de 97. O detalhamento da pesquisa mostra ainda que, destas 7.968 novas unidades habitacionais, 69,6% são moradias de até dois pavimentos (casas e sobrados) construídas, também em sua maioria, nos bairros da periferia da cidade.
É um volume expressivo de produção nesse segmento, que contrasta com o apresentado em anos anteriores, analisa o presidente da Comissão de Economia e Estatística do Sinduscon, Marcelo Bettega. São dados que confirmam uma tendência de horizontalização dos empreendimentos e maior expansão em direção aos bairros da cidade. De certa forma, a indústria da construção está atendendo a uma preferência do curitibano, observa Bettega.
Preferência já revelada em outra pesquisa realizada pelo Instituto Bonilha. Os dados das pesquisas Comportamento do Comprador de Imóveis, encomendadas pelo Sinduscon anualmente, vêm demonstrando a preferência pela diversificação tanto em produtos quanto em público. No ano passado, diz o diretor do Sinduscon-PR, a preferência do comprador foi pela casa isolada ao invés do apartamento. E, na classe C, essa exigência chegou a 60%.
Com estes dados em mãos, pesquisadores do Instituto Bonilha já estão em campo novamente. O objetivo, neste ano, é agregar mais um importante dado ao mercado construtor de Curitiba: detectar o comportamento, o desejo do tipo e a localização para a moradia e o poder de compra da população de menor renda. População que hoje tem maior acesso às linhas de crédito em financiamento imobiliário e tornou-se alvo em potencial para a indústria da construção civil.
O objetivo é potencializar o ritmo de novos empreendimentos na cidade, pois o aumento no volume de produção e de unidades concluídas este ano, segundo Marcelo Bettega, é resultado do grande número de lançamentos feitos nos anos de 94 e 95. Mas em 98, apenas 1.385 unidades foram lançadas em Curitiba, sendo 919 residenciais e 466 comerciais. Projetados esses números, o total de lançamentos deste ano deverá ficar abaixo do registrado no ano de 97 (2.464 unidades) e também de 1996 (2.712 unidades). E este ritmo mais lento será sentido nos próximos 18, 24 e até 36 meses, tempo ainda necessário à conclusão destas unidades.


