O efervescente mercado imobiliário brasileiro começa a voltar os olhos para um novo conceito de imóvel - o que apresenta preocupações ecológicas - e por isso é denominado ''edifício verde''. A linha-mestra deste tipo de empreendimento é a construção sustentável, um sistema que promove intervenções sobre o meio ambiente, sem esgotar os recursos naturais, preservando-os para as gerações futuras. Tal modelo de construção utiliza materiais ecológicos e soluções tecnológicas inteligentes, que promovem a redução da poluição, o bom uso e a economia de água e de energia e o conforto de seus usuários.
Segundo o engenheiro e presidente da Esfera Empreendimentos, que há três anos realiza construções sustentáveis residenciais no Brasil, Luiz Fernando Lucho do Valle, o selo ''Green Building'', do Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), é a principal certificação em âmbito mundial de construções dentro do padrão de sustentabilidade.
''Os seis pré-requisitos para que o imóvel receba o selo são: reaproveitamento de energia, uso eficiente da água, manutenção da biodiversidade local, infra-estrutura suficiente para evitar o uso excessivo do automóvel, uso de materiais ecologicamente corretos na construção e, especialmente, a garantia de um ambiente interno saudável'', enumera.
De acordo com Valle, a sustentabilidade já começa no canteiro-de-obras, racionalizando os materiais e recursos naturais utilizados, que, em alguns casos, é um dos fatores que mais encarece a construção. ''Conscientizamos os funcionários sobre a importância de não desperdiçar, eles, por consequência, repassam os conceitos à comunidade deles'', ressalta.
O engenheiro explica que um projeto elaborado dentro de padrões sustentáveis tende a ser até 10% mais caro que um tradicional. ''Porém, apresentamos imóveis com preços abaixo dos praticados pelo mercado porque conseguimos uma economia de escala por meio da padronização dos nossos produtos'', revela.
Além do chamariz ecologicamente correto destes empreendimentos, a sustentabilidade também tem um apelo ao bolso, já que as taxas condominiais reduzem em até 30%. Outra vantagem, que ainda não ocorre no Brasil, mas já é tendência nos Estados Unidos e na Europa, é a valorização do imóvel com diferenciais ecológicos na hora da revenda. ''Um imóvel verde tem seu preço elevado em até 30% sobre os convencionais'', informa Valle.
Um sinal da força desta tendência é que atualmente, de acordo com o engenheiro, as pessoas começam a incluir a preocupação ambiental na hora de decidir pela compra do imóvel. ''Agora, as pessoas não analisam apenas preço, localização e a qualidade do produto na hora de comprar. Segundo nossas pesquisas, 33% dos clientes adquiriram o empreendimento por ser sustentável'', enfatiza.

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